Demanda chinesa seguirá firme, acreditam analistas

Demanda chinesa seguirá firme, acreditam analistas

Consultores admitem hipótese de alguma redução, economistas entendem que há sinais de que país oriental manterá seu alto volume de compras

Nereida Vergara

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A previsão de que a demanda chinesa por soja brasileira pode perder intensidade a partir deste mês, feita por consultores do mercado de grãos nos últimos dias, é vista com cautela por economistas do Rio Grande do Sul.

A analista da consultoria AgRural, de Curitiba, Alaíde Ziemmer, diz que o sentimento de que a melhor fase para a venda da soja nacional está chegando ao fim advém principalmente do fato de que o país asiático fez grandes compras no Brasil com entrega futura e a preços muito inferiores aos atuais. “Não acreditamos que de agora em diante se consiga repetir os volumes de soja exportados pelo Brasil, de 17,3 milhões de toneladas em abril, um recorde histórico”, explica. A queda na demanda, de acordo com Alaíde, tem como indicativos o recuo no prêmio exportação pago pelo comprador, que para os mês de junho está indicando deságio de 0,25 centavos de dólares (no Porto de Paranaguá) por bushel.

Para o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, tais projeções não encontram lógica no momento. Segundo ele, os preços crescentes da commodity na Bolsa de Chicago e o fato de que os Estados Unidos anteciparam o plantio da cultura justamente para colher antes e atender uma possível escassez da oleaginosa demonstram que há demanda. “Se o preço segue em alta é porque há mais gente disposta a comprar do que gente disposta a vender”, ressalta, observando que não é preciso ser analista ou economista para chegar a esta conclusão.

O professor de Economia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Nilson Costa, concorda com Da Luz e acrescenta ao raciocínio o fato de que, no cenário atual, além das cotações em alta consistente, deve-se levar em consideração a recuperação econômica da China depois da pandemia e o não encolhimento de suas cadeias de consumo de grãos.

“Podemos até acreditar que a China esteja revendo algumas das suas estratégias de aquisições, mas daí a achar que o mercado da soja possa perder a liquidez, é pouco provável”, complementa Costa.


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