Em meio à estiagem, uva gaúcha tem safra excepcional
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Em meio à estiagem, uva gaúcha tem safra excepcional

Dias secos, ensolarados e com grande amplitude térmica favoreceram a maturação e a concentração de açúcar nas variedades viníferas

Por
Carolina Pastl (sob supervisão de Elder Ogliari)

Qualidade da fruta deve ser sentida no vinho

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Enquanto as lavouras de grãos e pastagens ainda sofrem com a estiagem que perdura desde dezembro do ano passado, a vitivinicultura do Rio Grande do Sul comemora uma colheita de qualidade excepcional. Tanto é que várias vinícolas já anunciaram planos de elaborar rótulos especiais alusivos à safra. Entre elas estão a Cooperativa Aurora, com suas linhas Millesime, Reserva e Pequenas Partilhas; a Casa Valduga, com vinhos tintos de guarda que serão lançados daqui a quatro anos; a Vinícola Miolo, com nova série Lendários, como ocorreu em 2018; e a Salton, com seus especiais Gerações, Septimum, Talento e Desejo.

"Esta safra de uvas será considerada uma das melhores em 20 anos em todo o Estado", avalia o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Mauro Celso Zanus. Apesar do final feliz, o comportamento climático chegou a preocupar os produtores ao longo do ciclo. Enquanto o inverno foi seco e menos frio, na primavera houve excesso de chuvas, o que prejudicou a brotação de videiras. Depois, em dezembro, a estiagem passou a ser a protagonista. O impacto maior ocorreu em vinhedos com solos mais rasos, em encostas íngremes da Serra Gaúcha. As precipitações que ocorreram de janeiro a março foram inferiores ao que estava previsto para o período.

As diversas mudanças climáticas extremas que aconteceram desde agosto do ano passado reduziram a estimativa do volume da safra para algo entre 550 e 590 milhões de quilos. A colheita anterior foi de 614 milhões de quilos. Já a série de dias ensolarados de verão, com grande amplitude térmica, deu a qualidade que os vitivinicultores esperavam para a uva.

“A maturação ocorreu por completo, beneficiando a biossíntese de pigmentos e preservando a acidez das uvas”, explica Zanus. “Como as videiras são perenes, a seca não diminuiu a sua qualidade, pelo contrário”, complementa o enólogo-chefe da vinícola Aurora, de Bento Gonçalves, Flavio Zilio. Como resultado, as uvas viníferas colhidas estavam sadias, sem podridão, com acidez equilibrada e boa concentração de açúcar e compostos minerais e orgânicos.