Entidades consideram suspensão de uso do 2,4-D "inócua"
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Entidades consideram suspensão de uso do 2,4-D "inócua"

Dirigentes avaliam que medida ocorre com 90% da área prevista já plantada

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Correio do Povo

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Entidades como a Farsul e a Aprosoja/RS consideram a suspensão do uso do agrotóxico 2,4-D praticamente inócua. O presidente da Aprosoja, Luis Fernando Fucks, lembra que o plantio da soja se encerra no dia 20 de dezembro e que, no momento, já chegou a 90% da área prevista. Ele questiona, entretanto, a validade das análises que deram positivas para a deriva, especialmente por não haver uma base de comparação dos efeitos com o ano passado.

Domingos Velho, vice-presidente da Farsul, também acredita que a suspensão terá pouco ou nenhum efeito, mas reitera que a entidade é contrária à proibição de produtos registrados no país e continuará lutando para que o 2,4-D seja utilizado dentro da legalidade.

O presidente da Associação Gaúcha de Produtores de Maçã, José Sozo, concorda que a suspensão pouco ajudará, pois, segundo ele, o estrago que o 2,4-D fez já está consolidado. “O produto foi mal registrado, por não considerar a questão da deriva”, aponta. “Neste ano (a ocorrência da deriva) foi mais grave que no ano passado e (a aplicação) deveria ter sido proibida lá no meio do ano, quando alertamos para o que estava acontecendo. Mas, na ocasião, o Ministério Público achou que era cedo para se posicionar”, critica.

O dirigente também considera a base de negociação entre os prejudicados e quem aplica o herbicida como injusta. “Somos o agente passivo nesta relação, tem nos cabido suplicar que parem. Não temos nada para conceder”, compara.

Na reunião foram apresentados os resultados de 143 amostras colhidas em propriedades com suspeita de deriva. Os laudos positivos chegaram a 132 (92,3%) e abrangem 16 dos 24 municípios contemplados pelas Instruções Normativas que estabeleceram normas como cadastro de aplicadores de agrotóxicos hormonais e venda orientada do produto.