Rural

Entidades pedem extinção do Fundoleite e migração para modelo de gestão privada

Em reunião na Assembleia Legislativa nesta quinta-feira, Secretaria da Agricultura anunciou que oito projetos foram aprovados, com investimento de R$ 10,8 milhões


Projetos do setor leiteiro aprovados pelo Fundoleite agora passarão por trâmites burocráticos do Estado, sem prazo para liberação
Projetos do setor leiteiro aprovados pelo Fundoleite agora passarão por trâmites burocráticos do Estado, sem prazo para liberação Foto : Alcides Okubo Filho / Embrapa / Divulgação

Três entidades representativas da agropecuária pediram a extinção do Fundo de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite (Fundoleite) ou transição para uma gestão privada, em razão da morosidade e burocracia para liberação de recursos a projetos do setor. A posição foi defendida por Federação da Agricultura do RS (Farsul), Sindicato e Organização das Cooperativas do RS (Ocergs) e Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios do RS (Apil) em reunião da Comissão da Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembleia Legislativa, nesta quinta-feira, em Porto Alegre.

No mesmo encontro, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) apresentou nova resolução do Fundoleite e anunciou que oito projetos foram aprovados, perfazendo investimento DE R$ 10,8 milhões, mas sem estimar prazo para liberação dos recursos, depositados no caixa único do Estado.

A reunião foi convocada pelo deputado estadual Elton Weber (PSB), unido ao setor lácteo na pressão para destravar o Fundoleite. “Os relatos são de que nos últimos três anos não houve liberação de recursos para projetos, enquanto o fundo tem mais de R$ 30 milhões, que deveria retornar em ações para o setor”, disse. O parlamentar vinha cobrando um posicionamento da Seapi sobre o tema e prazos para liberação dos recursos.

Presente na reunião, o secretário-adjunto da Seapi, Márcio Madalena, anunciou que será publicada na próxima semana, no Diário Oficial do Estado, uma resolução atualizada para o fundo, analisada pela Controladoria e Auditoria-geral do Estado (Cage). Em relação aos oito projetos aprovados, contemplando sete empresas (Lactalis, Friolack, CCGL, Santa Clara, Stefanello, Piá e Italac, disse que os próximos passos são checar documentos, fazer a programação orçamentária, a contratação e, por fim, o empenho dos projetos. A efetiva liberação de recursos dependerá da Secretaria da Fazenda, sem prazo.

Estado admite discussão

Sobre a mudança na gestão do Fundoleite, conforme sugerido por entidades, para perseguir o modelo de gestão privada do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), o secretário adjunto da Seapi entende que o tema deve ser discutido. “Não há por parte do governo um posicionamento totalmente refratário, estamos abertos à discussão”, disse Madalena, alertando que o Fundesa funciona com excelência em razão de sua gestão.

A reunião teve participação presencial e online. O deputado Zé Nunes estava em Brasília e se manifestou via internet. Ele lamentou a situação do Fundoleite e disse que pretende ampliar a discussão sobre os fundos agropecuários do Estado. “Precisamos fazer uma reflexão sobre todos os fundos setoriais que estão enjaulados no caixa único do Estado”, destacou.

Entre as entidades participantes, o secretário executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat), Darlan Palharini, lembrou que o Fundoleite completará 10 anos em dezembro e reconheceu os avanços anunciados pela Seapi. “O Fundoleite será o grande diferencial dos lácteos do RS e trará um ganho consistente à divulgação da produção gaúcha, beneficiando a todos os agentes do setor. Acredito que as empresas conseguirão avançar em seus projetos, que devem seguir a lógica do que vimos com o Mais Leite Saudáve”, salientou. Conforme Palharini, existem mais de 10 projetos na fila do fundo.

"Recursos são privados"

O gerente de Relações Institucionais e Sindicais do Sistema Ocergs, Tarcisio Minetto, ex-secretário de Desenvolvimento Rural do Estado, ressaltou que o setor precisa de celeridade na liberação de recursos e defendeu que o Estado pense em uma transição do Fundoleite. “A posição da Ocergs é de que precisamos de celeridade e pensamos, sim, em um novo modelo, inspirado no Fundesa, para o Fundoleite”, disse. Representante da Farsul, Rodrigo Rizzo, acompanhou a posição sobre a extinção do Fundoleite. “Temos o entendimento de que os recursos do Fundoleite não são públicos, mas privados”, destacou.

O assessor executivo da Apil, Osmar Redin, declarou que, em meio à crise, o setor tem dificuldades para acessar o dinheiro do fundo. “Mesmo se continuarmos com o fundo, sempre que precisarmos, de uma forma emergencial, vamos encontrar trâmites burocráticos que não ajudarão”, afirmou. “A Apil propõe claramente a extinção do fundo porque, desta forma, não está trazendo contribuição nenhuma, apenas mais custos para o produtor”, disse.