Estiagem ameaça também a produção de erva-mate

Estiagem ameaça também a produção de erva-mate

Repetição de longo período sem chuva, como em 2019, prejudicou a brotação da entressafra e conteve a expectativa de grande colheita

Camila Pessôa (sob supervisão de Elder Ogliari)

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A falta de chuvas vai afetar a produção de erva-mate no Estado. De acordo com Tiago Antônio Fick, assessor técnico da Câmara Setorial da Erva-Mate da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), as expectativas iniciais para 2022 eram de continuidade da recuperação da produção, reduzida pela seca de 2019, mas agora é possível que haja uma nova queda porque a brotação da entressafra foi prejudicada.

A expectativa é de que a produção de 2022 fique entre 230 mil e 240 mil toneladas de folha verde. A média de anos recentes considerados “cheios” hegou a 277 mil toneladas. O cenário é incerto. “Nós ainda temos dúvidas de até quando vai durar essa estiagem”, admite o presidente do Instituto Brasileiro da Erva-Mate (Ibramate), Alberto Tomelero. “Se retornarem as chuvas normais, não haverá uma grande perda”, prevê, mantendo a esperança de contenção dos prejuízos.

“A produção ervateira no ano de 2021, foi, de um modo geral, boa. Recuperou parte das perdas da seca de 2019”, comenta Fick. Mas, segundo ele, isso não foi o suficiente para o atendimento da demanda dos consumidores, que cresceu durante o ano. Assim, o produtor conseguiu vender a erva-mate folha verde por até R$ 25,00 a arroba. Mas Fick lembra que “observou-se um aumento nos custos dos insumos necessários à produção, o que preocupa o produtor, que poderá ter sua rentabilidade diluída na safra 2021/2022”.

Em 2021, num primeiro momento, Tomelero afirma que o clima estava favorável para a erva-mate. Isso levou a uma boa brotação e gerou a expectativa de uma grande colheita, que, no entanto, diminuiu à medida que a falta de chuva mudou o quadro climático.

Fick diz que os preços estiveram em constante alta porque foram pressionados pelo aumento da demanda no comércio interno e externo. O consumo chegou a crescer cerca de 30%, numa oscilação atribuída à Covid-19 porque a pandemia mudou o hábito do chimarrão, que passou a ser bebido individualmente e na forma de infusão. Já o aumento das exportações foi puxado pela demanda da Argentina.

A colheita da erva-mate ocorre ao longo de todo o ano, com mais intensidade entre os meses de maio e setembro, período em que a erva está madura, sem sementes ou brotação. A abertura oficial da colheita é realizada na última semana de maio.



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