Relatório do USDA derruba cotações da soja

Relatório do USDA derruba cotações da soja

Incertezas quanto ao desempenho da safra americana e temor de recessão devem impactar preços, avaliam consultores

Patrícia Feiten

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Com novas estimativas para a produção, oferta e demanda de soja nos Estados Unidos, o relatório divulgado nesta terça-feira pelo Departamento de Agricultura do país (USDA, na sigla em inglês) derrubou os preços da commodity na bolsa de Chicago. O documento gerou a expectativa de volatilidade nas cotações do produto no mercado interno, que haviam começado a semana em alta, com valores próximos de R$ 200 para a saca de 60 quilos no Rio Grande do Sul. O desempenho da próxima safra norte-americana e o temor de uma recessão econômica global deverão influenciar os valores nos próximos meses, de acordo com analistas de mercado.

Com a diminuição na área cultivada, o relatório do USDA projeta a produção norte-americana de soja em 122,61 milhões de toneladas para o ciclo 2022/2023, frente a 126,28 milhões de toneladas do relatório anterior, divulgado em março. O órgão também reduziu em 2 milhões de toneladas as estimativas de exportação do país para a China, e o estoque final da oleaginosa caiu de 7,6 milhões para 6,2 milhões de toneladas. “É um número apertado, mas foi maior do que o que o mercado esperava”, diz a analista de mercado Sílvia Bampi, da consultoria StoneX. Para a safra brasileira 2022/2023, o relatório prevê uma produção de 149 milhões de toneladas.

Como efeito do relatório, na bolsa de Chicago (CME), o maior tombo nesta terça foi registrado nos contratos futuros de soja com vencimento em novembro. Referência para a safra norte-americana, eles foram negociados a 13,43 dólares por bushel, com queda de 4,41% e recuo de 62 pontos. Os contratos para entrega em agosto e setembro despencaram 53,6 e 61 pontos, respectivamente, fechando a 14,68 e 13,62 dólares por bushel. Para os preços da soja no Brasil, o cenário desenhado pelo USDA aponta uma perspectiva de alta, acredita Sílvia. “Mas o mercado está preocupado com a possibilidade de recessão, de uma retração de demanda no curto prazo. Então, vamos ver ainda muita gangorra nos próximos meses”, diz a analista, destacando que as previsões climáticas negativas trazem incerteza quanto à próxima colheita nos EUA.

O analista Luiz Fernando Gutierrez, da consulta Safras & Mercado, aposta em preços firmes para Brasil e no Rio Grande do Sul até o fim deste ano, mesmo com o impacto da queda em Chicago. “Em contrapartida, a gente tem um câmbio mais forte, e ele deve continuar segurando os preços”, avalia. Segundo o especialista, tudo dependerá, no entanto, do tamanho da safra norte-americana. “Mesmo que seja grande, temos um fator que é uma quebra da produção no Brasil, então os prêmios (de exportação) devem continuar subindo nas próximas semanas e meses”, diz. “Para os preços da próxima safra (brasileira), a gente espera muita volatilidade”, destaca Gutierrez.



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