Saúde

Janeiro é marcado por campanhas de conscientização do câncer do colo do útero e da saúde mental

As ações do Janeiro Branco são focadas na saúde mental

“As pessoas ainda têm resistência em procurar ajuda", diz médico
“As pessoas ainda têm resistência em procurar ajuda", diz médico Foto : Marcelo Camargo / Agência Brasil / CP

O mês de janeiro não apenas marca o início de um novo ano, mas também representa um período de reflexões e iniciativas voltadas para a melhoria da qualidade de vida. É nesse contexto que surgem campanhas significativas de conscientização: o Janeiro Branco, focado na saúde mental, e o Janeiro Verde, que ressalta a importância da atenção e prevenção do câncer do colo de útero.

O Janeiro Branco simboliza a oportunidade de iniciar um novo ciclo com projeções positivas para o futuro. Suas ações visam despertar a consciência coletiva sobre a relevância da saúde mental e emocional, direcionando a atenção tanto para as necessidades individuais quanto para as institucionais.

O médico psiquiatra da Santa Casa, Cristiano Brum destaca a persistência do estigma relacionado ao cuidado com a saúde mental. “As pessoas ainda têm resistência em procurar ajuda. Elas sofrem de sintomas depressivos, ansiosos, por tabus, desconhecimento, receios quanto aos tratamentos, dentre eles o medo de que medicações possam causar dependência”, justifica.

Brum destaca a diferença entre os sintomas depressivos do sentimento de tristeza, salientando que a depressão se manifesta por meio de uma tristeza persistente e/ou anedonia – perda de satisfação e interesse por atividades que antes havia prazer. Esses sintomas tendem a ser constantes na maior parte do dia, durante, pelo menos, duas semanas, e são acompanhados por outros sintomas como alterações no sono, mudança de apetite, fadiga, perda de energia, mudança motora – mais lenta ou agitada –, pensamentos de inutilidade, culpas excessivas, baixa autoestima, desesperança, dificuldade de concentração, tomada de decisões e pensamentos recorrentes de morte.

Sobre o uso de medicação, o especialista alerta que ela é indicada após uma avaliação criteriosa. E são indicadas para casos de significativo sofrimento em que ocorrem prejuízos nas atividades laborais ou cotidianas, nas relações interpessoais ou representem riscos à vida do paciente.

“Dentro da psiquiatria nos temos critérios diagnósticos estabelecidos. O bom profissional fará uma avaliação bem criteriosa nesses aspectos e verificará a melhor alternativa terapêutica - medicamentosa e psicoterapia associada. As avaliações também consistem em verificar traços da personalidade do indivíduo que podem prejudicar suas interações com as pessoas, a maneira como enfrentam situações de estresse e suas respostas frentes a estes eventos”, explica.

Por fim, Brum afirma que muitos sofrimentos e dores emocionais podem ser amenizadas com a busca de auxílio. Ele destaca a importância das abordagens multidisciplinares na área da saúde mental. A psicologia na realização de múltiplas formas de psicoterapias, assistentes sociais (no caso de vulnerabilidades no suporte e apoio social e familiar), terapeutas ocupacionais, acompanhantes terapêuticos, educadores físicos e demais profissionais da saúde.

Entre as boas práticas de saúde, o psiquiatra sublinha a importância de evitar uso álcool ou drogas, buscar ter sono adequado, realizar atividades meditativas, manter boas relações de amizades, trabalhos e grupos. “Ter atividades de lazer e descanso são estratégias preventivas na manutenção de uma boa saúde mental”, finaliza.

Janeiro também é marcado por conscientização sobre a prevenção do câncer de colo de útero. Este tipo de câncer é a terceira forma mais incidente entre mulheres, excluindo os tumores de pele não melanoma.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2023-2025, estima-se que ocorrerão 17.010 casos novos anualmente, representando uma taxa bruta de incidência de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres. Em 2021, a taxa de mortalidade foi de 4,51 óbitos a cada 100 mil mulheres.

Analisando regionalmente, o câncer de colo de útero ocupa a quarta posição na região Sul (14,55/100 mil) e a terceira na Centro-Oeste (16,66/100 mil). Já as regiões Norte (20,48/100 mil) e Nordeste (17,59/100 mil) exibem as taxas mais elevadas do país.

O exame citopatológico é a principal ferramenta de rastreamento, indicado para mulheres de 25 a 64 anos. Em 2020, a pandemia de Covid-19 impactou a realização desses exames, resultando em uma queda significativa, mas em 2022 já houve um aumento. No Rio Grande do Sul, os números foram de 561.551 exames em 2019; 350.150 em 2020; 492.614 em 202; e 547.738 em 2022.

A ginecologista da Santa Casa, Fernanda Uratani afirma que esse é um câncer 100% prevenível. Ela destaca a importância da vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV), disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). O HPV está associado à quase totalidade dos casos de câncer de colo de útero, além de outros tumores em homens e mulheres.

A vacina quadrivalente no SUS é recomendada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de imunossuprimidos (como pacientes com câncer, HIV e transplantados) até 45 anos. Fernanda enfatiza que essa vacina tem alta eficácia e que na rede privada também está disponível a vacina nonavalente contra o HPV, inclusive para outras idades.

“A nossa vacinação é muito baixa, por isso ainda temos um número muito alto de casos. Com uma alta taxa de vacinação, conseguiremos uma superproteção no futuro”, ressalta a médica.

Além da vacina, a ginecologista destaca a prevenção secundária por meio de exames como o papanicolau em mulheres e exames urológicos em homens. Ela ressalta que os sintomas geralmente aparecem quando o câncer já está avançado, tornando esses exames preventivos cruciais. A ginecologista também esclarece que nem sempre o contato com o HPV evolui para câncer.

“O HPV é um vírus comum e fácil de ter contato. A maioria das pessoas sexualmente ativas poderá ter contato em algum momento da vida com o HPV, mas o desenvolvimento do câncer está associado a outros fatores de risco como imunidade baixa, tabagismo, deficiência na alimentação e exposição a outras doenças sexuais”, explica.