Verão

Garçom bilíngue encanta turistas argentinos em Capão da Canoa

Qualificação dos profissionais é diferencial para quem quer melhor atender, diz Fecomércio

Diego faz do conhecimento da língua espanhola uma ferramenta de trabalho
Diego faz do conhecimento da língua espanhola uma ferramenta de trabalho Foto : Mauro Schaefer

À mesa do restaurante em Capão da Canoa, uma família conversa sobre o que pedir para o almoço. São cinco pessoas que dialogam por meio de gestos e palavras ditas com rapidez que chama a atenção das demais pessoas que aguardam pratos escolhidos, porém poucos no local compreendem o que se passa, até que um dos garçons da casa se dirige ao grupo: "hola, yo voy ajudar a sacar o pedido de ustedes".

A oferta de ajuda com o cardápio veio do Diego Souza França, 22 anos. Ele é acionado sempre que turistas estrangeiros que falam espanhol chegam no estabelecimento. “A comunicação com estrangeiros acontece tranquilamente, estamos acostumados porque muitos nos visitam todos os anos, mas é claro que preferem falar a língua deles”, conta.

A família em questão atendida por Diego vem da cidade argentina de Corrientes distante mais de mil quilômetros do litoral Norte gaúcho. E tão longe de casa, apesar de afirmar que compreende bem o português, o comissionista Victor Leges, 58 anos, confessa que é agradável ouvir o idioma nativo do país de origem. “Não costuma haver problema de comunicação, há muitos anos visitamos Capão da Canoa e Torres nas férias, mas sim, é mais confortável conversar na minha língua, torna o atendimento mais acolhedor”, revela o hermano, que ainda elogiou a fluência do jovem gaúcho no espanhol.

"Eu somente tento deixar os clientes à vontade”, contou o profissional, que agradeceu aos turistas pelo reconhecimento. Em espanhol, é claro: “Gracias por todo!".

Qualidade do atendimento é diferencial importante

Diego diz ter aprendido espanhol por meio de jogos online, nos quais conversa com pessoas de diferentes partes do mundo. E apesar de o conhecimento obtido não tenha inicialmente foco na qualificação profissional, falar uma segunda língua confere ao jovem garçom um importante diferencial no mercado de trabalho, principalmente em setores como gastronomia, comércio e turismo.

A economista-chefe da Fecomércio RS, Patrícia Palermo, reforça que o principal desafio de quem empreende no litoral Norte é a qualificação do atendimento. “Mais que ampliar a oferta de pessoas para atender à demanda maior deste período, é fundamental a capacitação da mão de obra. O turista bem atendido retorna, quem não é, não volta. E receber o estrangeiro no idioma dele representa preocupação em melhor servi-lo”, conclui.

A proprietária do restaurante em que Diego trabalha, Solange Santos, entende como um reforço importante dispor de um profissional que fala espanhol durante a temporada. “Mais que acolher nossos clientes, os outros funcionários também são estimulados, o pessoal se esforça e atende ainda melhor”, acrescenta.