Saudade bate mais forte, e argentina decide deixar litoral e voltar para casa

Saudade bate mais forte, e argentina decide deixar litoral e voltar para casa

Depois de sete anos morando no Brasil, funcionária de hotel no Balneário Mariluz se despediu dos colegas e do país

Chico Izidro

Razões da volta são a saudade de casa e do sobrinho

publicidade

Após sete anos de Brasil e outros três como uma das funcionárias mais amadas e competentes do Hotel Fazenda Figueiras, no Balneário Mariluz, a argentina Maria Virginia Adorno decidiu dar adeus ao seu trabalho e ao país, que adotou com muito carinho.

"O motivo é a saudade tremenda de sua família, e principalmente do sobrinho Moro”, conta ela, quase em lágrimas. O garoto nasceu em julho, num período de mais crise da pandemia do novo coronavírus, e ela não o conheceu ainda. Apenas viu Moro em chamadas de vídeos ou fotografias feitas pelos familiares, que moram na cidade de Rosário, a 300 quilômetros de Buenos Aires.

“Estou há quase dois anos sem ver minha família”, conta Maria, que está sempre com um sorriso no rosto e solícita ao atender os hóspedes do hotel. “Não nasci para ser mãe. E Moro significa muito para mim”, garantiu. Seu último dia trabalhando no hotel será em 28 de fevereiro.

Ela recorda que, na Argentina, tinha uma vida independente, sua própria casa. Até o dia em que conheceu um rapaz de Buenos Aires, e largou tudo para ir morar com ele. Dali em diante, as coisas desandaram, e Maria voltou para a casa dos pais, em Rosário, e não se adaptou. Foi quando recebeu um convite para morar no Brasil. “Vim para o Brasil convidada por um amigo, que me chamou para trabalhar em Laguna, em Santa Catarina. Fiquei lá um tempo e depois vim para o litoral gaúcho”, recorda.

Maria conta que ao chegar em Imbé, trabalhava em uma lanchonete e, ao voltar para casa, passava em frente ao hotel e colocou na cabeça que trabalharia lá. “Então um dia me enchi de coragem, montei meu currículo e vim falar com a gerência. Para minha surpresa, dias depois me chamaram para trabalhar”, emociona-se.

“Foram anos maravilhosos. Eu sempre quis morar em outro país e consegui. Agora volto, mas com o coração nas mãos”, diz ela, com um forte sotaque. “Fico triste de ir embora. Estou dividida. Mas deixarei as portas abertas. Talvez eu volte um dia”, afirma a argentina de 45 anos.

Veja Também


publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895