Vendas à beira da estrada, rumo ao litoral gaúcho, sobrevivem em meio à pandemia

Vendas à beira da estrada, rumo ao litoral gaúcho, sobrevivem em meio à pandemia

Comerciantes se reinventam e comemoram vendas contínuas mesmo com medidas de isolamento

Christian Bueller

Vendedor de frutas às margens da RS-786, próximo ao balneário de Albatroz, em Imbé, está no mesmo lu

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As mãos calejadas de Rineu Reolon não escondem: trata-se de um homem da roça. O vendedor de frutas às margens da RS-786, próximo ao balneário de Albatroz, em Imbé, está no mesmo lugar há nove anos. Se para muitos muitos empreendedores ao redor do mundo, nos mais diversos setores, a pandemia trouxe somente más notícias, baixa de vendas e prejuízo financeiro, não foi bem o que aconteceu ele, mesmo que a crise da Covid-19 tenha estourado no final do verão passado e tenha seguido na baixa temporada do litoral gaúcho.

Com as restrições impostas ao comércio das redondezas devido à pandemia, as vendas aumentaram no inverno, algo impensável em outros anos. "O pessoal de Imbé vinha tudo para cá comprar minhas frutas", revelou. Além de vender, Rineu ainda é uma espécie de revitalizador da área em que trabalha. "Aqui era um lixão, tirei tudo e ainda continuo limpando porque as pessoas nos carros atiram garrafas de vidro a toda hora", lamenta.

Ao lado do enteado Maicon, demonstra felicidade no que faz, em uma expressão no rosto que mistura um sorriso bonachão e olhar austero. "Uma vez, vieram dois ladrões, mas enfiei um banco de madeira nos 'peito' de um deles e não levaram um centavo", lembra o filho de mãe italiana, que tem orgulho e disso e entrega no sotaque de onde traz os pêssegos, ameixas, uvas e melões que comercializa. "Tudo de Farroupilha. Depois da lavoura, passei 22 anos viajando fazendo transportes. Resolvi morar em Mariluz e ficar por aqui", conta, enquanto ajeita as garrafas de cachaça que também compõem as prataleiras que instala todos os dias em seu caminhão.

Perto dali, um negócio antigo que apostou na versatilidade para atrair mais clientes. A agora Floricultura/Tenda Colombo uniu o comércio de flores e gramado que a família de Janete Medeiros fazia àquele tipo de estabelecimentos de beira de estrada quase extintos atualmente nas estradas gaúchas. "Estamos vendendo melancias e abacaxis, além de porongos para ninhos de pássaros, vasos e grutas, já que quase não tem tenda por aqui e param muitos veranistas", explica a filha Daniela que, há pouco tempo, administra o local.

Foto: Alina Souza

Não que Janete tenha se afastado totalmente do negócio. Para saber o nome de algumas flores ali disponíveis, a mãe é chamada para ajudar Daniela. "Essa aqui é a buganvile, muito conhecida por três-marias", aponta. Segundo a atual administradora, a pandemia até assustou no início, mas não atrapalhou os negócios. "Não tenho o que reclamar", afirma. Entre outros destaques do lugar estão as bromélias, ondas-do-mar e lágrimas-de-Cristo.

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