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Médicos brasileiros planejam fazer novo transplante de útero

Primeira procedimento transplantou útero fértil de mulher falecida em uma paciente que nasceu sem o órgão

Por
Correio do Povo

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Médicos transplantaram um útero fértil de uma mulher falecida em uma paciente que nasceu sem esse órgão e que conseguiu conceber uma menina que hoje tem quase um ano de idade. Após o sucesso dessa intervenção, um grupo de médicos brasileiros está pronto para replicar seu feito.

“Todas as pacientes que fizeram parte desse grupo inicial já foram selecionadas e foram submetidas à fertilização in vitro”, disse o médico Dani Ejzenberg.

“Há embriões de boa qualidade armazenados e agora esperamos doadoras compatíveis para realizarmos os transplantes”, acrescentou. Ele e seus colegas médicos também devem solicitar e aguardar a aprovação das autoridades brasileiras para ampliar a técnica, que atualmente está apenas na fase experimental.

Ejzenberg, ginecologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, fez parte da equipe que realizou a operação, que envolveu um útero de uma mulher de 45 anos que morreu de derrame cerebral.

O órgão foi transplantado no corpo de uma paciente de 32 anos, que nasceu sem útero devido a uma síndrome rara, de acordo com a publicação The Lancet Medical Journal. Os zigotos fertilizados foram implantados no útero sete meses depois, após um ciclo de medicamentos para suprimir a rejeição do órgão.

Em 15 de dezembro de 2017, a menina nasceu. “O bebê apresenta “um desenvolvimento completamente normal, tanto do ponto de vista motor como neurológico”.

O professor Luiz Carneiro, que liderou a equipe do transplante, explicou que ele e seus colegas ficaram orgulhosos de terem possibilitado uma gravidez graças a esse procedimento inovador. Antes do experimento, as únicas opções disponíveis para mulheres com infertilidade uterina eram a adoção ou os serviços de barriga de aluguel.

O primeiro parto bem-sucedido após um transplante uterino de doadora viva ocorreu em 2013, na Suécia, e, desde então, houve outros 39, onze dos quais resultaram em nascimento de um bebê, todos através de doadora viva.

Mas há muito mais mulheres que precisam de transplantes do que doadoras vivas. Por essa razão, as equipes médicas em diferentes países têm trabalhado para viabilizar o uso de úteros de doadoras falecidas. Dez tentativas foram feitas nos Estados Unidos, na República Tcheca e na Turquia antes do sucesso relatado no Brasil.