Saúde é coisa séria, alerta estudo
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Saúde é coisa séria, alerta estudo

Pesquisa aponta a saúde como principal preocupação de trabalhadores em segmentos vulneráveis

Por
Correio do Povo

Além do Brasil, o estudo traz informações de outros 14 países: Austrália, Canadá, China, França, Alemanha, Japão, Hungria, Índia, Holanda, Polônia, Espanha, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos

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Divulgada pelo Instituto de Longevidade, a 7ª Pesquisa de Preparo para a Aposentadoria traz um recorte inédito sobre trabalhadores em segmentos vulneráveis que exercem períodos prolongados de atividade física intensa. De acordo com o estudo, 28% da população ativa brasileira se encaixa nessa categoria, que agrupa profissionais de áreas como agricultura, construção civil e metalurgia, além de militares, equipes de emergências e limpeza.

A possibilidade – e talvez necessidade – de trabalhar por mais tempo traz desafios para esta parcela da população. Como suas atividades são fisicamente exigentes, esses trabalhadores lidam com um dilema: continuar desempenhando suas funções, à medida que envelhecem, até estarem prontos financeiramente para se aposentar.

Além do Brasil, o estudo traz informações de outros 14 países: Austrália, Canadá, China, França, Alemanha, Japão, Hungria, Índia, Holanda, Polônia, Espanha, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos

Saúde em primeiro lugar
Em termos globais, 50% dos trabalhadores em segmentos vulneráveis afirmaram que a saúde na velhice é sua principal preocupação. No Brasil, esse índice é de 71% e contrasta com o de alguns países desenvolvidos, como por exemplo a Holanda, que ficou em 20%.

A idade ideal para aposentadoria é outro ponto de destaque do estudo. Em tempos de discussão acirrada sobre a Reforma da Previdência, 40% dos trabalhadores brasileiros com alta exigência física acreditam que a idade de aposentadoria deve permanecer a mesma, pois as pessoas já trabalham o suficiente.

“A longo prazo, empregos fisicamente exigentes exercem maiores desgastes sobre o corpo. De acordo com a pesquisa, 60 anos é a idade média que os trabalhadores brasileiros deste segmento esperam se aposentar”, explica Leandro Palmeira, diretor de Pesquisa do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon e responsável pelo estudo no país. “É fundamental que eles se mantenham ativos fisicamente, de forma a aumentar a qualidade de vida. Agindo neste sentido, ampliarão as chances de trabalhar até a idade planejada para a aposentadoria e, consequentemente, conseguirão aproveitar melhor este momento para o qual trabalharam tão arduamente”, destacou o diretor.

Realidade brasileira
O Brasil, assim como ocorre com outras economias em desenvolvimento, apresentou crescimento no setor de serviços e declínio nos setores mais tradicionais de emprego nas últimas décadas. O recorte inédito aponta que apenas 30% dos brasileiros com alta exigência física possuem planejamento formal para a aposentadoria. Esse resultado, embora superior à média global (19%) e aos níveis de países como Estados Unidos (28%) e Alemanha (10%), levanta incertezas para o futuro. No ranking geral de melhor preparo para a aposentadoria, o Brasil ficou em terceiro lugar, atrás apenas de China e Índia.

Mesmo bem colocado, 42% dos brasileiros acreditam que a possível redução dos benefícios da previdência pública é a tendência global que mais afeta seu planejamento de aposentadoria.

"O mundo está se reinventando para manter sistemas de previdência sustentáveis que ofereçam dignidade às pessoas na hora de envelhecer e se aposentar”

“Esta parcela da população corre maior risco de não conseguir uma aposentadoria financeiramente segura. É necessário que esses indivíduos assumam cada vez mais responsabilidade para poupar, investir, planejar e, em última análise, autofinanciar uma parte maior da renda de aposentadoria. O mundo está se reinventando para manter sistemas de previdência sustentáveis que ofereçam dignidade às pessoas na hora de envelhecer e se aposentar”, analisa Palmeira.

De acordo com o diretor, a combinação de fatores como envelhecimento da população, aumento da expectativa de vida e menores taxas de natalidade colocou enorme pressão financeira sobre os benefícios do governo e os tradicionais planos de aposentadoria patrocinados pelo empregador.