Simpósio em Porto Alegre debate alcance das pesquisas com células-tronco
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Simpósio em Porto Alegre debate alcance das pesquisas com células-tronco

Elas já foram a esperança de cura para muitas doenças complexas e difíceis de tratar.

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Correio do Povo

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Elas já foram a esperança de cura para muitas doenças complexas e difíceis de tratar. O avanço das pesquisas, no entanto, revelou que a terapia com células-tronco tem mais limites do que se imaginava e que os resultados podem não ser tão animadores quanto prometiam. Mesmo assim, os estudos continuam e novas possibilidades aparecem. Para debater sobre as novidades e descobertas em torno das células-tronco e, especialmente, seus efeitos no tratamento de doenças cardíacas, o Programa de Pós-Graduação da Fundação Universitária de Cardiologia, ligada ao Instituto de Cardiologia de Porto Alegre, realiza o Simpósio de Pesquisas Avançadas em Cardiologia. O evento, que ocorre nos dias 7 e 8 de dezembro, no Instituto, também tratará de outros temas relacionados à cardiologia e às doenças do coração.

“Os resultados das pesquisas com células-tronco chamaram muita atenção em animais, com resultados impressionantes. Quando essas pesquisas se estenderam a pacientes adultos, no entanto, esses resultados não foram os mesmos. Houve algum efeito, mas não com a intensidade necessária para fazer frente à doença cardíaca”, comenta o cirurgião cardíaco Renato Kalil, professor no Programa de Pós-Graduação e um dos palestrantes do Simpósio.

Na palestra Terapia celular na insuficiência cardíaca: antes com células e agora sem células? Kalil apresentará um panorama dos estudos com células-tronco e apontará os rumos da pesquisa no mundo. Segundo ele, mesmo não tendo demonstrado o resultado esperado, as células continuam sendo analisadas, já que novas possibilidades começam a aparecer. “O foco das pesquisas atualmente são alguns componentes das células-tronco, que isolados podem ter efeitos positivos em tratamentos de males como a insuficiência causada por doença no músculo cardíaco, doença isquêmica do coração, infartos e angina”, explica Kalil.

Coordenadora do Simpósio, a bióloga Nance Nardi explica que, mesmo não tendo dado a resposta esperada para doenças complexas, como as cardíacas, a pesquisa com células-tronco revelou possibilidades promissoras para o tratamento de males em tecidos mais simples, como ossos. Especialista em genética e imunologia, Nance ministrará uma das palestras abertas ao público sobre como as células-tronco podem auxiliar no tratamento das doenças cardíacas.

Além desta, outras palestras serão abertas à comunidade em geral, que também poderá visitar os laboratórios e visualizar os métodos de pesquisa com células-tronco em animais. “Queremos que pesquisadores de várias áreas participem e conheçam o que se pesquisa, atualmente, com células-tronco. Esse debate é fundamental para que os estudos avancem e beneficiem pacientes no Brasil”, completa Nance. Mais informações e inscrições podem ser feitas pelo site www.cardiologia.org.br/inscricoes-para-cursos.