Sociedade de Oftalmologia promove campanha sobre ceratocone
capa

Sociedade de Oftalmologia promove campanha sobre ceratocone

Doença, que geralmente começa na adolescência, pode levar à necessidade de um transplante de córnea

Por
Correio do Povo

publicidade

No próximo dia 9 de novembro, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia realiza a Campanha Nacional de ceratocone em conjunto com a Campanha Violet June, com o objetivo de conscientizar a população sobre a doença que começa geralmente na adolescência e, se não diagnosticada precocemente e tratada, pode levar à necessidade de um transplante de córnea.

A campanha será realizada pela Sociedade e suas filiadas em praticamente todo o país e tem como preocupação principal chamar a atenção para o perigo de esfregar ou coçar os olhos, alertando que a desinformação pode prejudicar mais que a doença e enfatizar a importância da consulta periódica a um médico oftalmologista.

Edna Almodin, presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, explica que o ceratocone é uma doença de origem hereditária, degenerativa, e atinge uma em cada duas mil pessoas. “A doença ainda é a principal causa de transplantes de córnea no Brasil - entre os mais de 23 mil transplantes realizados por ano, mais de 13 mil são de córnea”, segundo a presidente.

Aqui no Rio Grande do Sul, a campanha para diagnóstico precoce de Ceratocone, promovida pela SORIGS -Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul - será realizada simultaneamente em três instituições de Saúde: Hospital de Clínicas e Santa Casa em Porto Alegre e, Instituto Ivo Correa Meyer em Viamão.

Um total de 180 pacientes, indicados pelo Ministério Público do RS e Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre, farão o exame oftalmológico completo. Aqueles com diagnóstico suspeito de Ceratocone realizarão topografia ou tomografia de córnea no mesmo dia e receberão folders explicativos sobre a doença. Os casos serão contabilizados e comunicados ao SBO. 

O que é o Ceratocone? Quem é mais afetado?

É uma doença progressiva da córnea na qual há encurvamento irregular da córnea, que a pode levar a assumir formato de cone, levando ao aparecimento de miopia e elevado grau de estigmatismo irregular com acentuada baixa da acuidade visual.

Os sintomas apresentados pelo paciente no início da doença são desconforto visual, dor de cabeça, fotofobia, baixa da acuidade visual e troca frequente das lentes dos óculos.

Ela acomete adolescentes ou adultos jovens e pode evoluir por toda a vida, embora, normalmente se estabilize após os 35 anos. Tende a ser mais comum em pacientes do sexo feminino.

Como tratar e prevenir?

Infelizmente não há formas de prevenção. Como toda doença, existe uma combinação de fatores genéticos e ambientais. O tratamento da alergia associado à educação para evitar coçar ou fazer pressão nos olhos (como dormir de bruços) pode evitar a progressão da doença. Retirar esse estímulo reduz a gravidade da doença.

Os óculos são a primeira opção para melhorar a visão, sendo as lentes de contato especiais indicadas quando a correção não é satisfatória. Entretanto, mesmo com boa visão, o acompanhamento deve ser feito por exames complementares para verificar se há progressão da doença.

No caso de progressão da doença, comprovada pela piora da visão, troca frequente de óculos, progressão nas medidas topográficas e diminuição da espessura corneana, deve-se efetuar o tratamento, que consiste em crosslink e/ou implante do anel intracorneano, o que precede eventualmente o transplante de córnea. Quanto mais precoce o tratamento, desde que haja progressão, melhores são os resultados visuais.