Voltando a andar
capa

Voltando a andar

Por

publicidade

Foto: Pixabay


Um tratamento inovador envolvendo o estímulo elétrico da medula espinhal permitiu a pacientes com paralisia voltar a andar, aparentemente reativando conexões nervosas. A novidade reacende as esperanças de recuperação dos movimentos mesmo anos depois da ocorrência de uma lesão. Uma equipe de cientistas, incluindo neurocirurgiões e engenheiros, usam impulsos elétricos direcionados para obter os resultados, ativando músculos individuais em sequência, da forma como o cérebro faz.

Até o momento, os resultados foram promissores. “Este teste clínico me deu esperança”, disse Gert-Jan Oskam, de 35 anos, que, após um acidente de trânsito em 2011, ouviu que nunca mais voltaria a andar. Após cinco meses de tratamento, ele agora consegue andar curtas distâncias mesmo sem a ajuda dos estímulos elétricos.  Trata-se do clímax de “mais de uma década de pesquisa cuidadosa”, afirmou Gregoire Courtine, neurocientista do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, que ajudou a chefiar a pesquisa.

Testes anteriores usaram o chamado estímulo elétrico contínuo da espinha, que funcionou bem em camundongos, mas obteve resultados menos impressionantes em humanos. Depois de alguns meses de treinamento com os impulsos direcionados, no entanto, "nossos participantes foram capazes de ativar seus músculos previamente paralisados sem o estímulo elétrico", disse Courtine. “Eles conseguiram até dar alguns passos sem qualquer suporte, sem ajuda das mãos. Para mim, ver esta recuperação foi incrível.” Filmagens feitas do estudo mostram a forma como o estímulo direcionado difere dos impulsos contínuos. Com o estímulo direcionado, o paciente caminha de forma quase normal, com os pés subindo e descendo a cada passo. “Foi incrível ver todos estes pacientes mexendo suas pernas sem o estímulo elétrico”, disse Jocelyne Bloch, neurocirurgiã do Hospital da Universidade de Lausanne, que ajudou a conduzir o estudo.

Em uma avaliação independente, Chet Moritz, professor associado do departamento de medicina de reabilitação da Universidade de Washington, elogiou o trabalho. Courtine alertou, no entanto, que é “muito importante calibrar as expectativas”, destacando que os três pacientes ainda dependem na maior parte do tempo de suas cadeiras de rodas.