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  • 23/06/2012
  • 09:04
  • Atualização: 09:12

“Lugo não teve tempo para defesa”, diz governo mexicano

Outros países sul-americanos já se manifestaram sobre o impeachment do presidente paraguaio

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  • AFP e Agência Brasil

O governo do México considerou que o processo de destituição do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, realizado na sexta-feira, não foi justo, ao não conceder a ele tempo para sua defesa, afirmou a chancelaria do país em um comunicado oficial.

"Embora o processo de julgamento político tenha se desenrolado seguindo o procedimento estabelecido no texto constitucional paraguaio, o México considera que este procedimento não concedeu ao ex-presidente Lugo os espaços e tempos para a devida defesa", expressou a chancelaria do México.

O governo mexicano também afirmou que "é indispensável garantir a integridade física do ex-presidente Lugo". "O México faz votos para que seja mantido o diálogo entre as diferentes forças políticas deste país irmão e que sejam evitados em todo momento atos de violência", concluiu o texto oficial.

Presidentes se manifestam sobre impeachment

Outros líderes sul-americanos se manifestaram após o impeachament do presidente paraguaio. O presidente do Equador, Rafael Corrêa, afirmou em pronunciamento oficial não reconhecer o novo presidente Federico Franco. “Não reconhecemos nenhum presidente paraguaio que não tenha sido legitimamente eleito”, enfatizou Correa, em entrevista ao canal de televisão multiestatal na América do Sul, Telesur.

Para a presidente argentina Cristina Kirchner, houve golpe de Estado. "Sem a menor dúvida houve um golpe de Estado no Paraguai”, disse ela em nota publicada no site oficial do governo argentino, qualificando a situação de "inaceitável". "É um ataque definitivo às instituições que reedita situações que acreditávamos absolutamente superadas na América do Sul e na região, em geral", afirmou Cristina Kirchner.

O presidente boliviano Evo Morales afirmou que a destituição de Fernando Lugo foi um "atentado contra a consciência dos povos e demais governos". "Este golpe de Estado em gestação contra um presidente democraticamente eleito e apoiado pela maioria do povo é um atentado contra a consciência dos povos e contra os governos que hoje impulsionam profundas transformações em seus países, de forma pacífica”, disse. “Convoco os povos indígenas e os movimentos sociais da América Latina a se unirem em uma só frente para defender a democracia no Paraguai e ao presidente Lugo”, completou Morales, segundo a Agência Boliviana de Informação.

O presidente peruano, Ollanta Humala, classificou a destituição como "um revés ao processo democrático na região que obriga nossos países a se manter vigilantes", informou a agência oficial Andina. Após expressar sua solidariedade com o povo paraguaio, Humala defendeu a unidade dos países integrantes da Unasul, "não descartando a adoção de medidas neste âmbito institucional", disse a agência.

Já o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, evitou falar profundamente sobre o assunto, preferindo aguardar pelo posicionamento comum dos países-membros da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que decidiu enviar um missão de chanceleres ao Paraguai com o objetivo de garantir o respeito à ordem democrática, o julgamento justo e o direito de Lugo se defender.

“O que posso dizer é que a posição colombiana é a mesma que sustentamos desde que ingressamos na Unasul: defendemos as democracias, os princípios democráticos e a vontade soberana dos povos. É esta a posição concreta e inegociável que levaremos a qualquer reunião, sobre qualquer situação”, declarou o presidente colombiano durante entrevista coletiva concedida no Rio de Janeiro. O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre o fato.

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