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04/03/2013 19:12 - Atualizado em 04/03/2013 19:25

Rebeldes conquistam vitória estratégica na Síria

Opositores de Al Assad tomaram o controle de quase toda a cidade de Raqa

Opositores derrubaram estátua do pai do presidente<br /><b>Crédito: </b> AFP
Opositores derrubaram estátua do pai do presidente
Crédito: AFP
Opositores derrubaram estátua do pai do presidente
Crédito: AFP

Os rebeldes sírios conquistaram nesta segunda-feira sua mais importante vitória desde o início da revolta contra Bashar al-Assad, há dois anos. Eles tomaram o controle da capital provincial Raqa, no norte do país. "Os rebeldes controlam quase totalmente a cidade. Há ainda certa resistência das forças do regime, particularmente na sede da segurança militar e no prédio do partido Baath", anunciou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Os combates prosseguem e a cidade é alvo de ataques aéreos realizados pelo governo. "Nas próximas horas, Raqa será a primeira capital de uma província fora do controle do regime", declarou Rami Abdel Rahmane, diretor do OSDH. Segundo ele, são os jihadistas da Frente al-Nusra, aliados a outros grupos, que combatem na cidade. Uma estátua de Hafez al-Assad, predecessor e pai do atual presidente foi destruída.

Um chefe da polícia foi morto e dois membros da segurança do Estado e da segurança política foram presos. O chefe da segurança do Estado já foi transferido para a Turquia, segundo o OSDH. Localizado na região do rio Eufrates, perto da fronteira turca, a cidade de Raqa possuí cerca de 240 mil habitantes oficialmente, mas mais de 800 mil pessoas buscaram refúgio na localidade desde o início do conflito, em março de 2011.

Nas últimas semanas, os rebeldes cortaram todos os acessos à cidade para o envio de armas e reforços para o Exército. Além disso, os insurgentes penetraram no aeroporto militar de Menagh, 30 quilômetros ao noroeste da cidade, e destruíram uma ponte no sul de Aleppo para impedir a chegada de reforços ao principal aeroporto.

Em contrapartida, as forças do governo realizam nesta segunda-feira uma grande ofensiva para recuperar o controle dos bairros rebeldes da cidade de Homs. Foram registrados "os combates mais violentos em meses e já são dezenas os mortos e feridos", afirmou o OSDH, sem indicar um número preciso de vítimas.

O Exército, apoiado por milícias pró-regime, atacou o centro de Homs, onde os rebeldes estão entrincheirados.
Esta cidade é chamada pelos rebeldes de a "capital da revolução", porque foi em Homs, que o levante contra o regime de Bashar al-Assad foi mais intenso antes do exército retomar o controle de cerca de 80% da aglomeração.

O secretário de Estado americano, John Kerry, prometeu continuar a reforçar a oposição síria sem armas, mas deixou implícito seu aval para o fornecimento de armas aos rebeldes "moderados" pelos países do Golfo. Mas o secretário de Estado, cuja administração rejeita armar os rebeldes sírios, reiterou que não poderia garantir "que uma arma ou outra caísse em mãos ruins".

Contudo, ressaltando o fato de que as armas são enviadas aos rebeldes pela Arábia Saudita ou o Qatar, Kerry explicou que a oposição síria tem "agora a capacidade de assegurar" que o que é destinado à "oposição moderada e legítima chegue efetivamente" a essas mãos. Por sua vez, o presidente russo, Vladimir Putin, aliado de Damasco, e o presidente francês, François Hollande, discutiram uma cooperação entre os dois países sobre a Síria, em uma reunião por telefone.

Após o Conselho Nacional Sírio (CNS), principal força da oposição, os Comitês Locais de Coordenação (LCC), que reúnem militantes anti-regime, acusaram seu vizinho Iraque e o Hezbollah libanês "de ajudar diretamente as tropas do regime Assad", "bombardeando posições da rebelião" próximas às fronteias iraquiana e libanesa. Paralelamente, Bagdá acusou um "grupo terrorista sírio" de ter planejado e realizado uma emboscada em território iraquiano que custou a vida de 42 soldados sírios e nove soldados iraquianos nesta segunda-feira próximo a fronteira entre os dois países.

A emboscada foi realizada por "um grupo terrorista que se infiltrou no território iraquiano a partir da Síria", indicou em um comunicado. O comboio atacado transportava soldados sírios desarmados que haviam fugido e que estavam sendo levados de volta à Síria através da passagem de Al-Walid. Mas no caminho caíram na emboscada, considerada pelo governo iraquiano um "ataque contra a soberania do Iraque".


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Fonte: AFP






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