Inverno: como evitar os perigos invisíveis da casa fechada

Descubra por que a falta de ventilação favorece fungos e bactérias e veja dicas simples para proteger a sua família neste inverno

Manter portas e janelas abertas por alguns minutos ajuda a renovar o ar e reduzir a umidade dentro de casa durante o inverno
Manter portas e janelas abertas por alguns minutos ajuda a renovar o ar e reduzir a umidade dentro de casa durante o inverno Foto : Magnific / Divulgação / CP

Com a chegada do inverno, portas e janelas costumam permanecer fechadas por mais tempo para evitar a entrada do frio. Embora compreensível, esse hábito diminui a circulação do ar e pode favorecer o acúmulo de umidade, poeira, ácaros, fungos e mofo dentro de casa.

A permanência prolongada em ambientes fechados e com pouca ventilação também facilita a transmissão de vírus respiratórios, aumentando a ocorrência de gripes, resfriados, bronquites e outras infecções. De acordo com o biomédico Benisio Ferreira da Silva Filho, coordenador do curso de Bacharelado em Biomedicina da Uninter, a vacinação permanece como uma das principais formas de prevenção diante da circulação desses vírus. Já, dentro de casa, a atenção deve se concentrar principalmente nos ambientes mais úmidos, como o banheiro e a cozinha.

Banheiro requer atenção redobrada

Durante os dias frios, o banheiro tende a permanecer por mais tempo com as janelas fechadas. A combinação entre pouca ventilação e vapor dos banhos cria condições favoráveis para a proliferação de fungos, mofo e bactérias.

A escova de dentes também exige cuidados. Segundo Silva Filho, as cerdas podem acumular resíduos de saliva, pasta de dente e partículas orgânicas, especialmente quando permanecem em um ambiente úmido e sem incidência direta de luz solar.

O especialista recomenda que a escova seja mantida em porta-escovas individuais e sem capas fechadas, para permitir a ventilação. Depois do uso, deve ser higienizada e deixada para secar.

Silva Filho também sugere borrifar uma pequena quantidade de enxaguante bucal nas cerdas antes de guardar a escova. Conforme o biomédico, ela deve permanecer afastada do vaso sanitário, porque o acionamento da descarga pode espalhar micropartículas pelo ambiente.

A orientação do especialista é trocar a escova a cada dois meses ou antes, caso as cerdas estejam desgastadas ou o indicador visual do produto sinalize a necessidade de substituição.

Outro cuidado citado por Silva Filho é evitar entrar no banheiro com os mesmos calçados utilizados na rua. Segundo ele, os sapatos podem carregar microrganismos que encontram, na umidade e na pouca ventilação do ambiente, condições para se multiplicar.

Esponjas podem acumular microrganismos

Na cozinha, a esponja utilizada na pia é um dos objetos que mais merecem atenção. Como permanece úmida e em contato com restos de alimentos, pode favorecer o crescimento de bactérias e fungos.

Silva Filho recomenda que as esponjas sejam trocadas semanalmente ou higienizadas diariamente. Entre as alternativas indicadas pelo especialista está a utilização de uma solução de água e vinagre. Além da esponja, a geladeira também deve ser limpa regularmente. Alimentos vencidos ou com sinais de deterioração precisam ser descartados, e líquidos ou restos de comida devem ser retirados das prateleiras.

Veja Também

Mofo afeta a qualidade do ar

O fechamento prolongado dos ambientes favorece o aparecimento de mofo em paredes, rejuntes, cantos dos quartos, armários e atrás de móveis encostados nas paredes.

Fungos podem liberar esporos no ar e provocar sintomas como irritação nasal, tosse seca e desconforto respiratório. Pessoas com alergias, doenças respiratórias ou baixa imunidade podem apresentar reações mais intensas.

Para combater o problema, Silva Filho orienta o uso de desumidificadores, quando possível, e a aplicação de produtos antifúngicos nas áreas afetadas. Em reformas, tintas antimofo também podem auxiliar na prevenção.

Outra recomendação é evitar secar roupas molhadas dentro de casa sem ventilação adequada. A prática aumenta a umidade interna e pode acelerar a formação de mofo nos ambientes.

Também é importante investigar a origem do problema. Infiltrações, vazamentos e paredes constantemente úmidas precisam ser corrigidos para impedir que o mofo reapareça.

Ventilar a casa faz diferença

Mesmo durante os dias mais frios, abrir portas e janelas por alguns minutos ajuda a renovar o ar. Tapetes, cortinas e estofados devem ser aspirados com frequência, pois podem concentrar poeira e ácaros.

Armários também precisam ser abertos periodicamente, enquanto móveis podem ser afastados alguns centímetros das paredes para facilitar a circulação do ar.

Segundo Silva Filho, pequenas mudanças na rotina doméstica ajudam a reduzir os riscos durante o inverno. Entre elas estão ventilar a casa diariamente, controlar a umidade, trocar as esponjas, higienizar utensílios de uso pessoal e manter a vacinação contra a gripe em dia. “Os riscos não estão apenas nas ruas ou nos hospitais. Eles também estão presentes no cotidiano doméstico, até mesmo nas esponjas da pia”, afirma o especialista.