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  • 18/09/2014
  • 22:00
  • Atualização: 22:09

RS segue como "estado mais velho" do Brasil

Tendência de envelhecimento mais acelerado está se equilibrando com o resto do país, aponta IBGE

RS segue como estado mais velho do Brasil | Foto: Tarsila Pereira /CP

RS segue como estado mais velho do Brasil | Foto: Tarsila Pereira /CP

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Por Karina Reif

A tendência de envelhecimento mais acelerado da população gaúcha em relação à média nacional tem se acentuado, segundo apontou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2013, divulgada nesta quinta-feira. “Hoje estamos da forma como o Brasil estará nos próximos dez ou 15 anos”, explicou o analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Riovaldo Mesquita. Ele destaca que o número de crianças está diminuindo e o de idosos crescendo em praticamente todos os estados. A diferença é que, no Rio Grande do Sul, a pirâmide etária, antes com a base maior, está se invertendo mais rapidamente. Por conta disso, o Estado é o "mais velho" do Brasil.

Uma das explicações é a fecundidade mais baixa há muitos anos. Enquanto que no Rio Grande do Sul a média é de 1,6 filho por mulher em idade fértil, no Brasil como um todo, o percentual sobe para 1,8. “O país inteiro está envelhecendo, mas historicamente o Rio Grande do Sul é mais velho”, comparou. O Brasil tem uma população de 202.768.562 habitantes, sendo que 13% em 2013 eram considerados idosos (mais de 60 anos). Já a proporção de jovens, com até 24 anos, era de 38,8%. Em 2012, os mais velhos somavam 12,6% e os mais novos, 39,5%. Outros estados como o Rio de Janeiro e São Paulo apresentam também fecundidade muito baixa e, nos próximos anos, podem se assemelhar ao Rio Grande do Sul.

Essa tendência se reflete em outros indicadores e pode ser uma das respostas até mesmo para a taxa de desemprego gaúcha ser baixa. “Apesar da nossa economia não crescer muito, temos pouca oferta de mão de obra”, salientou Mesquita, destacando que faltam trabalhadores para algumas vagas.

Isso só deve deixar de ocorrer se o governo do Estado adotar políticas de atração de populações de outros estados. Mesquita lembra que, até a década de 1970, o país tinha uma taxa de natalidade alta, que começou a cair a partir dos anos 1980. “Na época tínhamos metade da população de hoje e mais crianças de zero a 4 anos do que temos hoje”, destacou. Isso indica que as políticas públicas precisam se adequar às mudanças populacionais.

Comemorando 100 anos nesta quinta, a aposentada Célia Domingues Ludwig, residente em Porto Alegre, está no topo da pirâmide etária, junto com 4,3% da população de mulheres com mais de 70 anos no Rio Grande do Sul. Lúcida lê o jornal todos os dias, mas apesar da boa saúde, depende de cuidados médicos e de familiares.

“A oferta de serviço de saúde é um problema sério, porque a necessidade é mais concentrada em doenças crônicas e a demanda por remédios e internação também é maior”, ressaltou Mesquita. Segundo ele, não há necessidade, por exemplo, de aumento de vagas em escolas, mas de qualificação. “O número absoluto de crianças diminui ano a ano", assinalou, lembrando que as despesas previdenciárias e assistenciais crescem progressivamente por causa do número de idosos cada vez maior.

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