Após 23 anos sem gravar material inédito, a banda lançou, no final de 2011, o álbum “Elektra”, que dá nome à atual turnê do grupo. Na semana passada, a banda esteve em Santa Bárbara, Minas Gerais, onde gravou o DVD desse “retorno”. Em entrevista, Paulo Ricardo, vocalista e principal compositor da banda, disse que estava acertando alguns detalhes dessa gravação. Os detalhes em questão passam por uma preocupação que sempre marcou a trajetória do RPM: apresentar não somente música, mas um conceito cênico com alta tecnologia. E o que os gaúchos irão ver nesta noite, é o mesmo que estará no DVD? “Tem algumas adaptações naturais de espaço, mas o conceito é o mesmo”, confirma o cantor.
Oficialmente, o RPM nunca acabou e cada um seguiu com seus trabalhos musicais, em disco ou projetos ligados à música. E sobre essa volta aos disco e aos palcos, Paulo Ricardo tem bem nítido como tudo se deu. “Vínhamos bem após a gravação do trabalho para a MTV em 2002, fomos bem-sucedidos com isso, mas tínhamos questões antigas e mal resolvidas mesmo. Um dia liguei pro Luiz Schiavon (tecladista) e disse: “Vamos acabar com essa palhaçada”. Nos abraçamos, choramos, essas coisas. Mas também tínhamos que terminar alguns trabalhos e uma das condições para continuar com o RPM é que fosse em material novo”, diz Paulo Ricardo. “Em 2010 fizemos um dos programas “Por Toda Minha Vida”, o primeiro dedicado a um artista vivo. O start de tudo foi ali. Poucos meses depois já estávamos ensaiando”, ressalta o vocalista.
Para o show, algumas do novo disco estão garantidas, como a ótima “Dois Olhos Verdes” e “Ninfa”. E Paulo Ricardo brinca sobre isso: “Ninguém vai no show pra ver música nova, os Stones já disseram isso”. Então preparem-se para uma enxurrada de hits, como “Olhar 43”, “Rádio Pirata”, “Loiras Geladas”, “Alvorada Voraz”. E ainda tem um set com Pink Floyd. Quase terminando a conversa, Paulo Ricardo define bem esse momento: “Não existe a volta do RPM, e sim continuidade. Resolvemos começar do zero”. Que continuem assim.