O arquivo de cartas e fotos pertencente a Herman Kallenbach, um fisiculturista e arquiteto judeu de origem alemã, foi comprado pelo governo indiano no ano passado, pouco antes de ser leiloado pela casa Sotheby em Londres. Será a primeira vez que o público indiano verá a coleção no Arquivo Nacional, no dia do 65º aniversário do assassinato de Gandhi por um extremista hindu.
"Estes são documentos importantes que esclarecem os primeiros anos de Gandhi", disse o chefe do Arquivo Nacional, Mushirul Hasan.
Gandhi viveu em Johannesburgo com Kallenbach por dois anos a partir de 1907, antes de deixar a África do Sul em 1914 para retornar à Índia, onde ajudou a unificar o movimento político contra o domínio colonial britânico. A relação com Kallenbach foi tema de especulações e boatos há anos por causa da proximidade entre os dois, recentemente contada em um livro pelo ex-editor do New York Times Joseph Lelyveld.
"Como você tomou completamente a posse de meu corpo?", afirma Gandhi em uma carta para Kallenbach reproduzida no livro de Lelyveld. "Esta é a escravidão com uma vingança", ressalta o homem conhecido como "o pai da Nação" na Índia, citado pelo ex-editor em seu trabalho.
Lelyveld foi forçado a defender-se das acusações de que havia sugerido em seu livro a bissexualidade de Gandhi. "A palavra bissexual não aparece em qualquer parte do livro", escreveu ele mais tarde.
Hasan não fez nenhum comentário sobre se a correspondência completa entre Gandhi e Kallenbach será exposta ao público. A Índia tem manifestado sua inquietação com os leilões dos pertences privados de Gandhi, considerados um insulto à memória de um homem que rejeitou a riqueza material.
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