Uma ópera inédita no Rio Grande do Sul, “Aci, Galatea e Polifemo”, do compositor barroco alemão Georg Friedrich Händel (1685 - 1759), ganha interpretação para o Terça Lírica.
Com direção cênica de Carlos Rodriguez e curadoria de Flávio Leite, presidente da Companhia de Ópera do Rio Grande do Sul, a récita ocorre nesta terça-feira, 22 de outubro, às 19h, no Palácio da Justiça (praça Mal. Deodoro, 55). A entrada é gratuita.
“Aci, Galatea e Polifemo” é uma serenata a três vozes composta por Händel, quando ele tinha apenas 23 anos e apresentada, pela primeira vez, em Nápoles em 19 de julho de 1708.
Escrita como um entretenimento de concerto para um casamento entre a nobreza, esta obra é completamente diferente da versão de 1718, para o Duque de Chandos, e é notável pela variedade da invenção de Händel. Os papéis, interpretados por Oséas Duarte (Aci), Izabella Domingos (Galatea) e Fernando Wielewicki (Polifemo) são bastante elaborados.
Na concepção do diretor cênico Carlos Rodriguez, a história da ópera se passa num futuro distópico, a donzela filha do deus marinho Nereu, possuidora do poder de gerar e controlar as águas, é feita prisioneira sob falsa acusação de torná-la um recurso escasso. O governo, então, passa a exercer ação restritiva sobre a população.
Galatea é mantida cativa junto ao pastor Aci. O amor dos dois neutraliza o poder da jovem, incapacitando-a de produzir água. O guardião dos amantes é o ciclope Polifemo, que acaba se apaixonando pela ninfa. Ele mantém o casal preso a guias conectadas a peitorais de couro, que fazem parte de seus uniformes de prisioneiros, e utiliza-se de uma marreta de concreto como arma para intimidá-los.