Arte & Agenda

Últimos dias do Palco Giratório Sesc

Grupos Complexo Duplo (RJ), Lume Teatro (SP) e Galpão (MG) são destaques nacionais na programação

‘Dois (Mundos) - Volume 1: Coração’ tem como base quatro canções de amor do disco ‘Dois’, do Legião Urbana
‘Dois (Mundos) - Volume 1: Coração’ tem como base quatro canções de amor do disco ‘Dois’, do Legião Urbana Foto : Guto Muniz / Divulgação / CP

O16º Festival Palco Giratório Sesc traz nomes consagrados do teatro nacional, na programação que se encerra neste domingo. Após ter apresentado “Cabeça” ontem, baseado na obra dos Titãs, o Complexo Duplo, do Rio de Janeiro, se debruça sobre o Legião Urbana, em “Dois (Mundos) - Volume 1: Coração”, nesta sexta e sábado, às 20h, no Teatro Bruno Kiefer (Casa de Cultura Mario Quintana). 

“Cabeça” tinha como proposta retroceder 36 anos no lançamento de “Cabeça Dinossauro”, 1986, quando surgiu o álbum “Dois”, da banda de Renato Russo. A diferença em “Dois (Mundos)” é o salto de 36 anos para a frente. Mais reflexivo, fala das relações amorosas entre pais e filhos e de amizade. “Tentamos lançar uma garrafa para o futuro, falar com nossos descendentes. Se projetar até 2058, pensando nessa viagem no tempo”, afirma Felipe Vidal, responsável pela direção, dramaturgia final e concepção cenográfica. O artista comenta que no início de 2020 o grupo carioca se motivou a partir para outro disco de rock com outra poética. E sugeriram “Dois”, que haviam pensado na época do “Cabeça”. Logo fechou tudo com a pandemia, e então o projeto foi transposto para o virtual, como experimento cênico. 

O disco foi transformado em 15 episódios, lançados quinzenalmente, conforme as letras. “Tinha uma troca muito calorosa com o público, mesmo a distância”, diz o diretor. O Sesc lançou o convite e o projeto foi proposto em forma de trilogia. O volume 1, “Coração”, traz quatro canções de amor: “Daniel na cova dos leões”, “Quase sem querer”, “Acrílica on canvas” e “Eduardo e Mônica”. Para Felipe, o “projeto tem uma carga de otimismo, no que o país tem de positivo. É um abismo, um salto no escuro”. É uma outra temperatura”, fala em relação ao outro trabalho musical. 

Apresentada virtualmente no festival no ano passado, “Kintsugi, 100 Memórias” pode ser conferida na Sala Álvaro Moreyra (Erico Verissimo, 307), às 19h deste sábado e domingo. Com texto de Pedro Kosovski e direção de Emilio García Wehbi, a peça aposta na memória, para transitar pela história dos intérpretes, suas experiência em grupo e, como projeção, dos espectadores. “Para nós, a memória é um exercício do presente para revisitar as crises passadas, os erros cometidos, as cicatrizes – pessoais e coletivas – que a história nos deixou e, assim, corrigir o nosso futuro”, declara o coletivo. O nome da peça remete à técnica japonesa de reparar com ouro a cerâmica quebrada, conferindo ao produto final um valor maior que o original. 

“De Tempos Somos - Um Sarau do Grupo Galpão”, celebra o encontro da música com o teatro que caracteriza o grupo mineiro, em seus quase 40 anos de história, neste sábado e domingo, às 21h, no Teatro Renascença (Erico Verissimo, 307). Dirigido por Lydia Del Picchia e Simone Ordones, lança aos atores em cena o desafio de se reinventarem, aproximando-se ainda mais do público, a quem são dedicadas algumas das canções. Luiz Rocha assina a direção musical, arranjos e trilha sonora, participando como convidado na produção que reúne 25 músicas do repertório do grupo – de montagens antigas a recentes, incluindo canções de workshops – além de textos sobre a passagem do tempo e o processo de criação artística.

Informações: htps://www.sesc-rs.com.br/palcogiratorio/programacao/.

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