Arte & Agenda

Único acelerador de partículas dedicado à arte volta a funcionar em Paris

Equipamento permite determinar composição química de uma obra sem ter que extrair nenhuma amostra

Primeiras obras estudadas pelo novo Aglae são pequenas estátuas de bronze
Primeiras obras estudadas pelo novo Aglae são pequenas estátuas de bronze Foto : Stephane de Sakutin / AFP / CP
O único acelerador de partículas do mundo dedicado à arte foi reinaugurado nesta quinta-feira em Paris, após uma renovação, com o objetivo de ajudar os especialistas a analisarem obras antigas. O Acelerador Grande Louvre de Análise Elementar (Aglae), de 27 metros de comprimento, permite determinar a composição química de um objeto de arte sem ter que extrair nenhuma amostra.

Concebido em 1988 pelo Centro de Pesquisa e Restauração de Museus da França (C2RMF), o acelerador foi desmontado no ano passado para ser renovado, com um orçamento de 2,1 milhões de euros ao longo de sete anos e financiado pelo Estado e a prefeitura de Paris. Sua emissão de raios X, gama e de luz permite detectar todos os elementos químicos nas camadas superficiais de uma obra de arte.

Ao mesmo tempo, após sua renovação, o acelerador dispõe de um multidetector muito mais sensível que antes, reduzindo as doses de radiações e permitindo analisar materiais sensíveis como as camadas pictóricas, sem risco de danificá-las. "Até agora, quase nunca analisávamos as pinturas, visto que tínhamos medo de provocar uma mudança de cor com os raios. Mas agora sim vamos utilizar o acelerador", declarou Isabelle Pallot-Frossard, diretora do C2RMF.

Por enquanto, as primeiras obras estudadas pelo novo Aglae são pequenas estátuas de bronze que representam deuses romanos, descobertas em 1969 na França, perto da fronteira com a Bélgica.



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