Em cerimônia realizada neste sábado, 21 de outubro, no Sesc 24 de Maio, a 22ª Bienal Sesc_Videobrasil premiou os artistas Gabriela Pinilla (Colômbia), Sada [regroup] (Iraque), Nolan Oswald Dennis (Zâmbia), Maksaens Denis (Haiti), Janaina Wagner (Brasil), Vitória Cribb (Brasil), Bo Wang (China), Leila Danziger (Brasil) e Froiid (Brasil).
Com o intuito de fomentar a produção artística do Sul geopolítico, a premiação se fragmenta em cinco categorias que incluem residências e prêmios em dinheiro. O júri internacional composto por Gabriela Golder (Argentina), Adrienne Edwards (Estados Unidos), Maria Magdalena Campos-Pons (Cuba), Patrick Flores (Filipinas) e Vivian Ostrovsky (Estados Unidos), selecionou dentre os 60 artistas participantes da edição.
O troféu recebido pelos artistas é a obra Matapi, de autoria do artista plástico Denilson Baniwa, cujo título vem de uma armadilha indígena para peixes. Ela captura peixes conforme a trama: se for mais aberta, captura peixes maiores e deixa passar os médios. Se for mais fechada, captura peixes menores e em maior quantidade.
A partir desta imagem e do conceito que norteia a edição - “A memória é uma ilha de edição” - a peça foi criada para representar a intenção da pessoa que está por trás das lentes e da própria lente, na captura de imagens e fazer o recorte. Ele imaginou o matapi como uma metáfora da captura, daquilo que filtra, do que sai e do que permanece – como uma edição – e do que depois nos serve como alimento: no caso do matapi, o peixe; no caso da imagem, o resultado do filme.
A 22ª Bienal Sesc_Videobrasil segue em cartaz até 25 de fevereiro de 2024 e reúne um conjunto de mais de 100 obras entre têxtil, pintura, fotografia e uma presença destacada de vídeos instalados em grande escala, de 60 artistas ou coletivos da África, das Américas (Sul, Central e Norte), Ásia, Europa (Leste e Portugal), Oriente Médio e Oceania.
O evento também apresentará a mostra Especial 40 anos – um espaço no Sesc 24 de Maio que será dedicado à trajetória do Videobrasil ao mesmo tempo que se relacionará diretamente com a exposição principal. O Especial 40 anos, com curadoria de Alessandra Bergamaschi e Eduardo de Jesus, explorará o Acervo Histórico Videobrasil, com vasto material de arquivo e obras que percorrem toda a história da Bienal, levando o público a refletir sobre a importância do vídeo nestas quatro décadas.
A relação dos prêmios e dos artistas contemplados:
Menção Honrosa
Gabriela Pinilla (Colômbia), com a obra "Guerrillera, Montaña, Compañera", 2023
Sada [regroup] (Iraque), com a obra homônima, de 2023
Prêmios Sesc de Arte, que seleciona obras a serem integradas ao Acervo Sesc de Arte Brasileira
Froiid (Brasil), com a obra “O Pulo do Gato”, 2023
Leila Danziger (Brasil), com a obra “O que desaparece, o que resiste”, 2023
Prêmio de Residência Wexner Center for the Arts / Cinema e Vídeo (Columbus, Ohio, Estados Unidos)
Vitória Cribb (Brasil), com a instalação “Bugs”, 2022
Prêmio de Residência Centro Cultural do Cariri (Crato, Ceará, Brasil)
Janaina Wagner (Brasil), com a obra “Quebrante”, 2023
Prêmio de Residência Instituto Sacatar (Itaparica, Bahia, Brasil)
Maksaens Denis (Haiti), com a obra “Mes Rêves/My Dreams”, 2021
Prêmio O.F.F.
Bo Wang (China), com a obra “The Revolution will not be air-conditioned”, 2022
Prêmio especial do Juri
Nolan Oswald Dennis, com a obra “A recurse for three oceans”, 2023
O Videobrasil é uma plataforma de arte e uma associação cultural que pesquisa e difunde a produção artística das regiões do Sul geopolítico do mundo – América Latina, África, Leste Europeu, Ásia e Oriente Médio. Criado e dirigido por Solange Farkas, integra uma rede de ações que inclui exposições, mostras, publicações, documentários, encontros e residências artísticas. Com mais de mil obras em vídeo e quatro mil itens, seu acervo é referência para conservação de vídeos, videoinstalações e registros de performance no continente.