Arte & Agenda

50 Tons de Pretas fala sobre produção musical e engajamento social

Banda é atração de live hoje do Núcleo de Estudos da Canção da Ufrgs

A discussão sobre o racismo e a árdua luta feminista trazem a experiência de Dejeane Arruée e Graziela Pires, que desenvolvem trabalhos para crianças e adolescentes nestas áreas há anos.
A discussão sobre o racismo e a árdua luta feminista trazem a experiência de Dejeane Arruée e Graziela Pires, que desenvolvem trabalhos para crianças e adolescentes nestas áreas há anos. Foto : Priscila Cezar

Com um background de militância social e antirracista, a banda 50 Tons de Pretas é a próxima atração do projeto Núcleo de Estudos da Canção, nesta terça-feira (25 de maio), às 19h, no canal do YouTube do DDC. A produção musical do grupo criado em 2017 pela dupla Dejeane Arruée e Graziela Pires gravita em torno da MPB e da black music brasileira, com elementos de pop e rock. A conversa sobre a trajetória, canções e os projetos da 50 Tons de Pretas contará com a mediação da professora do Departamento de Música do Instituto de Artes da Ufrgs, Caroline Abreu.

Indicado ao Prêmio Açorianos de Música em 2019 pelo espetáculo “A mais pura verdade”, dentre outras distinções e participações em diversos festivais, o conjunto tem como prerrogativa a música como forma de educação social em relação à luta pelo empoderamento de gêneros e classes desfavorecidas, dando voz às mulheres negras e ao feminismo, na busca por uma sociedade justa e sem preconceitos. Os trabalhos sociais acompanham a trajetória do duo de compositoras, musicistas e arranjadoras. O reflexo desses interesses é marcante na obra do 50 Tons de Pretas.

Com naturalidade e leveza, a dupla perpassa temas sociais graves e que exigem reflexão. A arte delas serve como fio condutor de um engajamento espontâneo de quem traz uma bagagem cultural e social própria e plural. A discussão sobre o racismo e a árdua luta feminista trazem a experiência de quem desenvolve trabalhos para crianças e adolescentes nestas áreas há anos.

50 Tons de Pretas

Nesse curto tempo de existência, a banda acumula um repertório representativo e diverso, com uma força que transcende a própria obra. Mescla muito bem suas referências e traça um diálogo aberto com pop, samba, rock e com a música popular brasileira como um todo.

Além de grandes compositoras, musicistas e arranjadoras, ambas desenvolvem trabalhos como educadoras para crianças e adolescentes. O papel de educadoras reflete na maneira como conseguem trazer com naturalidade e leveza temas sociais fortes e de reflexão. É uma música alegre, pra cima e dançante. Mas estão presentes nas letras temas que envolvem mulheres negras, feminismo, diferença de classes, a esperança de uma sociedade igualitária e o fortalecimento da mulher. As Pretas, como são também conhecidas, chegam para entreter, mas, acima de tudo, para fazer pensar. A arte é o fio condutor de um engajamento espontâneo de quem traz uma bagagem cultural e social plural.

O cunho político está presente em canções que buscam refletir sobre o ainda pequeno espaço ocupado pela mulher negra, a necessidade de empoderamento feminino. “Preta, olha aonde você chegou, pois um dia acreditou que a vida ia sorrir pra ti…” diz a letra do primeiro single lançado pelas por elas, canção esta, que deu nome ao espetáculo que circulou por mais de 15 cidades em 2018. Com este show foram indicadas ao Prêmio Açorianos de Música na categoria Melhor Espetáculo, em 2019.

Seu primeiro espetáculo recebeu o nome de “A mais pura verdade”, que trouxe uma grande diversidade de ritmos e contou com a direção cênica da atriz e diretora teatral Deborah Finocchiaro e projeção de imagens do artista Leandro Selister, que integrou seu trabalho fotográfico presente no projeto #Tristicidade, cartografias do abandono e da (in)visibilidade dos moradores de rua da cidade de Porto Alegre.

Virada Cultural –  Virada Sustentável, Parada de Luta LGBTI,  Cerimônia de premiação do 46º Festival de Cinema de Gramado , show no Multipalco do Theatro São Pedro  e uma turnê promovida pelo SESC marcaram a trajetória da banda.

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