Arte & Agenda

Ação de despejo ronda galeria de Romero Britto

O aluguel da galeria, 60 mil reais mensais, está atrasado desde fevereiro de 2014

Galeria do artista, radicado em Miami, está devendo aluguel desde fevereiro do ano passado
Galeria do artista, radicado em Miami, está devendo aluguel desde fevereiro do ano passado Foto : Divulgação / CP
Instalada há 15 anos na rua Oscar Freire, um dos pontos comerciais mais caros de São Paulo, a Galeria Britto, que vende as obras do artista Romero Britto, está sendo despejada por falta de pagamento de aluguel, desde fevereiro do ano passado. O atraso no aluguel, de 60 mil reais mensais, motivou a ação de despejo pelos advogados da proprietária do imóvel, Vera Cardoso Franco da Silva, que tentaram acordos extrajudiciais com Roberta Britto, irmã do artista e administradora da galeria.

Desideriu Romanek, diretor financeiro da galeria, admite o atraso no pagamento do aluguel, mas alega que a "intransigência dos advogados da proprietária" inviabiliza o acordo, pois a dívida original, que estaria entre R$ 560 mil e R$ 580 mil, ultrapassaria R$ 1 milhão com honorários advocatícios e multas. "Não existe boa vontade de conciliar os interesses, pois estamos aqui há 15 anos e eles não levam em consideração que gastamos o equivalente na reforma do prédio, ou melhor, no novo projeto, assinado por João Armentano, que custou exatamente isso na época e hoje custaria três vezes mais."

Na época, o aluguel estava entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, segundo Romanek. Em 2010, ele passou para R$ 40 mil. "Isso inviabilizou o negócio, pois é grande o número de falsificações da obra de Romero Britto e as vendas caíram muito em razão disso", diz Romanek. Há cinco anos, o valor do aluguel foi questionado judicialmente, segundo ele. "Finalmente, em fevereiro de 2014, começamos a ter dificuldades para pagar o aluguel. Em junho fizemos acordo para saldar os atrasados em parcelas, mas, em outubro, o faturamento teve uma queda de 80% e não conseguimos cumpri-lo."

Roberta, irmã de Romero Britto, está em Miami, tentando atrair investidores para o negócio em São Paulo. Há seis anos, Romero desligou-se da galeria brasileira, mantendo apenas a de Miami e suas parcerias internacionais (com a
Samsung, entre outras). Em maio do ano passado, a casa de leilões Sotheby's vendeu uma tela sua, retratando o ex-presidente John Kennedy e a primeira-dama Jacqueline Kennedy, por 250 mil de dólares. Apenas em 2015 Romero Britto tem quatro exposições marcadas, uma na França, duas na Alemanha e uma na Flórida.

A despeito do êxito comercial do pintor, a situação da galeria paulistana não teve iguais resultados por causa das cópias ilegais em circulação na cidade e os preços praticados pelo artista. "Sua irmã Roberta não recebe obras de graça para expor aqui, como se imagina", observa Romanek. "Ela só tem direito a descontos", conclui.

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