Arte & Agenda

"A Fera na Selva" adapta texto literário de Henry James para o cinema

Filme participa da mostra competitiva de longas brasileiros do 45º Festival de Cinema de Gramado

Longa é dirigido por Paulo Betti e Eliane Giardini
Longa é dirigido por Paulo Betti e Eliane Giardini Foto : Diego Vara / Pressphoto / Divulgação / CP
Na mostra competitiva de longas brasileiros do 45º Festival de Cinema de Gramado, foi exibido o filme "A Fera na Selva", dirigido por Paulo Betti e Eliane Giardini e com codireção de Lauro Escorel (responsável pela bela fotografia). Além de apresentar o filme, uma adaptação para as telas do texto do escritor norte-americano radicado britânico Henry James, no Palácio dos Festivais, a equipe participou de um debate aberto ao público, nesta quarta-feira, no Hotel Serra Azul.

Betti analisou que o roteiro cinematográfico partiu da peça teatral que o casal já tinha apresentado anteriormente no teatro. As locações foram realizadas em Sorocaba (SP), o que carregou de emoção as filmagens, visto que ambos têm suas origens na região. Familiares de Paulo Betti participaram como figurantes. Na narrativa, João (Paulo Betti) e Maria (Eliane Giardini), ambos professores, se reencontram após dez anos. Uma empatia imediata se manifesta e eles retomam uma conversa que tiveram anteriormente.

Ele vive na espera de um acontecimento extraordinário que transforme sua vida e se sente oprimido por isso. Solitário, vê-se "na mão do destino" ou "dos deuses", como cita o personagem. Ela é a única pessoa com quem ele confidenciou esse segredo e mantém seu papel de cúmplice. Isso faz com que a relação de ambos se estreite ao longo do tempo, mas sempre como uma amizade.

"Procuramos ser fiéis ao texto de Henry James. O fato de, por exemplo, não ter sexo entre os personagens é uma destas questões", explicou Betti. A presença de um narrador no filme, com a voz de José Mayer, carrega essa herança literária da obra original. O uso da narração, que não costuma agradar os críticos, foi defendida por Betti. "Fiz vários tratamentos no roteiro, com e sem narrador. Por fim, me apaixonei por ele", explicou o cineasta, creditando a voz narrativa ao próprio James.

Eliane destacou que, desde a primeira vez que leu a novela do escritor, o que lhe chamou a atenção na obra foi esse personagem que aguarda um mistério futuro e deixa de viver o presente. "Isso me fez optar por viver o agora", definiu.
Essa origem literária parece ter norteado todo o filme, que se desenvolve basicamente em torno dos diálogos dos protagonistas, que, interpretados pelos atores experientes, apresentam atuações elogiáveis. O ritmo é filosófico e quase contemplativo, uma proposta que a equipe sabe ser desafiadora. "Para nós, enquanto atores, é importante correr riscos", admitiu Eliane. O codiretor Lauro Escorel, que também está em Gramado, disse ter essa consciência e não ter receio de que este seja um filme "fora da curva".

Com similaridades ao estilo de filmes do português Manoel de Oliveira, ou mesmo de Truffaut (o filme "O Quarto Verde", de 1978, foi citado pelo próprio Betti como inspiração), o diretor diz que sabe que seu filme pode ser difícil para o grande público. Por isso, criou uma estratégia de divulgação. A cada cidade em que se apresenta com a sua peça "Autobiografia Autorizada", sobre outra temática, ele fala do filme, anotando e-mails de espectadores. Isso permite um contato com o público da peça e que já é em potencial o do filme. "Eu podia estar matando, eu podia estar roubando, mas estou fazendo as pessoas lerem Henry James", brincou Betti. Essa rede vai informar sobre os lançamentos nas cidades brasileiras. "Esse será um case de transmídia", definiu. "E estou adorando esse contato com o público", completou o diretor.

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta desta sexta-feira, dia 16 de outubro de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio