O ator, vestido com uma jaqueta estampada com uma águia de duas cabeças, o símbolo da Rússia, respondeu as perguntas casualmente em poucos minutos na cozinha de sua casa em Néchin, uma pequena aldeia perto da fronteira francesa, para onde se mudou no ano passado. Atrás dele, um presunto pendurado para secar e uma baguete embalada. Ele diz que acabou de fazer compras.
O ator também revela outras razões que o levaram a deixar a França. Cita a proximidade do aeroporto Roissy (200 quilômetros de distância), seus amigos da aldeia e a qualidade da carne e bistrôs locais. Ele garante que "não é verdade" que ele deixou a França "por razões fiscais", porque ele paga "50% de impostos" na Bélgica. Mas ele considera "um pouco exagerada" a política fiscal do governo de François Hollande. "Eu sou francês, eu amo os franceses, mas tenho um pouco de pena deles, porque eles estão em uma situação difícil", disse o ator, repetindo: "não foi por razões fiscais."
"Um primeiro-ministro deve dar o exemplo", insistiu Depardieu, referindo-se ao termo "pobre" usado contra ele por Jean-Marc Ayrault, no auge da polêmica sobre seu "exílio" no final de 2012. "É como a ministra da Cultura", Aurélie Filippetti, que se declarou "indignada" com a atitude de Gérard Depardieu. "Nós não criticamos alguém que paga mais de 87% de impostos", segundo o ator.
Gérard Depardieu também falou sobre os seus projetos - nos Estados Unidos e na Rússia - e confirmou que "comprou a casa" na Bélgica, após vender a que ele possuía em Paris. Ele espera ainda abrir um restaurante na região de Néchin, repetindo que ele não veio para a Bélgica "fazer dinheiro".