A cantora franco-italiana Carla Bruni, 47 anos, está pela primeira vez no Brasil, país admitido como inspiração para a sua vida, principalmente no que tange ao gosto pela música embalada, vide MPB e bossa nova, pois admite que a paixão da juventude era ouvir discos de vinil, com músicas de Vinicius de Moraes, Tom Jobim e Elis Regina. A primeira apresentação no país será nesta segunda, às 21h, no Teatro do Bourbon Country (Túlio de Rose, 80), em Porto Alegre e ainda há ingressos à venda. A turnê do quarto álbum, “Little French Songs” (2013) segue dia 26, no Teatro Bradesco, em São Paulo.
A artista estará acompanhada do tecladista Cyril Barbessol e do guitarrista Taofik Farah. No repertório, estarão as levadas para chansons que lembram músicas com marcação mais sincopada do Brasil, como o “Quelqu un M’a Dit”, do disco homônimo, de 2002, além de obras mais recentes como “J’Arrive a Toi”, “Prière”, coescrita com Julien Clerc; sobre seu casamento com Nicolas Sarkozy, em “Mon Raymond”; sobre sua situação artística em “Pas une Dame”, além de “Chez Keith et Anita”, sobre o namoro de Keith Richards e Anita Pallenberg.
Do disco, há que se destacar a cultura popular francesa em “Little French Songs”, cujo trecho a seguir é autoexplicativo: “Porque temos muito de que nos orgulhar: temos Brassens, Brel e Ferré / Temos Boris Vian, Barbara, Gainsbourg, Trenet, Prévert, Kosma...”. Carla também mostrou o aprimoramento dos seus dotes de composição ao acrescentar versos à “Valsa Póstuma”, de Fryderyk Chopin, e adaptar ao italiano a música “Douce France”, de Charles Trenet, que virou “Dolce Francia”: “Dolce Francia caro paese d’infanzia / Mi hai cullata di speranza e ti ho presa nel mio cuor”.
Em entrevista concedida ao Caderno de Sábado, do Correio do Povo, a grande dama da canção francesa atual fala das pequenas grandes canções que ela apresentará na segunda, além da inspiração na música brasileira, novos projetos pessoais e quem é Carla Bruni quando não está compondo, tocando ou cantando:
Correio do Povo - “Little French Songs” já foi lançado há dois anos, mas como foi o processo de construção do disco e o que o público gaúcho pode esperar deste show?
Carla Bruni - Eu escrevo as canções como elas vêm a mim, na verdade. "Little French Songs" é um álbum escrito com o nanquim da minha vida e do meu coração. Minhas músicas são para mim como umas pequenas fotos da minha vida e da vida em geral. Eu espero poder transmitir para o público brasileiro um pouco de mim, eu vou colocar todo o meu coração no palco.
CP - Qual é a sua relação com o Brasil. Sabemos que seu pai, Maurizio Remmert, vive em São Paulo. Pergunto sobre a música, as pessoas, as coisas daqui em geral?
Carla - O Brasil é um país muito importante para minha formação musical e como pessoa, não só porque o meu pai vive aí, mas a música brasileira foi uma das bases da minha inspiração e embalou a minha juventude. As músicas de Vinicius de Moraes, Tom Jobim & Ellis Regina embalaram aquela grande época da vida.
CP - Você é multicultural nas suas canções, sua temática não é monocórdica. Qual é a mensagem que você quer passar com elas?
Carla - Atualmente o que eu estou tentando passar com as minhas músicas é um pouco de suavidade, um momento macio, em meio a este mundo que está cada vez mais embrutecido. Eu não sei como descrever a minha música, mas através dela eu tento passar um pouco mais de ternura, de nostalgia e de alegria.
CP - Você podia falar de novos projetos na música, no cinema, moda ou até mesmo da literatura?
Carla - Tenho vários projetos musicais em andamento: Eu estou preparando um álbum de covers em inglês, produzido por David Foster, que vai ser lançado no outono na França e também estou compondo um álbum só de canções francesas que espero lançar na primavera.
CP - Quem é Carla Bruni fora da música?
Carla - Fora da música eu sou uma filha, uma amiga, uma esposa, mãe, irmã, enfim, uma eterna criança.
A grande dama das pequenas canções francesas
Cantora e compositora franco-italiana Carla Bruni se apresenta segunda em Porto Alegre