Flach faleceu nesta segunda-feira no Hospital Mãe de Deus, onde estava internado havia um mês. O velório começou por volta das 23h no Centro Municipal de Cultura (avenida Erico Verissimo, 307). A despedida é aberta ao público e se estende por toda a madrugada e manhã desta terça. No início da tarde, ocorre a cremação, fechada para a família, no Crematório Metropolitano.
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O jornalista, músico e pesquisador Arthur de Faria também destacou o lado afetuoso do instrumentista. "O Geraldão era um queridão. Um ursão amável, pacato e com aquele ar de quem já tinha visto tudo, de cima e de baixo. De dentro e de fora." O músico disse que Flach, mesmo com idade para ser seu pai e pouquíssimos pontos de contato com sua música, parava para escutá-lo e comentar suas composições. “Ele não tinha nada pra aprender comigo”, contou.
Arthur destacou ainda o imenso talento musical do instrumentista, que tinha uma capacidade de improvisação rara. “Ele conseguia sentar na frente de um piano sem nenhuma idéia pré-concebida e só levantar uma hora e meia depois, diante de uma plateia extasiada. Como eu desejei, por muitos anos da minha vida, ser um músico completo como o Geraldo! Nunca consegui."
Artista multimídia
O ator Zé Victor Castiel lembrou também que, além de ser um grande instrumentista, Flach era um artista multimídia: foi um dos maiores produtores de áudio para publicidade e criadores de jingle do Estado. “Nos anos 80, ele foi o fundador da Plug (Produções Fonográficas). Lá por 1986 ou 1987, foi com o Flach e o Sepé Tiaraju de Los Santos que comecei a minha carreira como locutor de publicidade", recordou.
Foi Flach quem também fundou o StudioClio Instituto de Arte e Humanismo, em 2005. O curador e idealizador do espaço, Francisco Marshall, destacou o entusiasmo com que Flach participava do instituto. “Ele sempre contribuiu com ideias originais e espetáculos de grande sensibilidade musical.”
O músico estava com apresentações marcadas para janeiro de 2011 no StudioClio, além de, segundo Marshall, estar planejando “outros projetos bonitos”. “Eu, na verdade, estou muito muito triste com isso. É a perda de um amigo e de um artista muito raro, um sujeito cordial, direto, inteligentíssimo, afetivo com um sentido muito raro da música e do piano."