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“A morte dele está entrando nos ossos”, diz Bebeto Alves

Artistas lamentam perda de Geraldo Flach, morto em consequência de um câncer nesta segunda

Artistas lamentam perda de Geraldo Flach, morto em consequência de um câncer nesta segunda
Artistas lamentam perda de Geraldo Flach, morto em consequência de um câncer nesta segunda Foto : Mauro Schaefer / CP
A morte do pianista e compositor Geraldo Flach, de 65 anos, vítima de um câncer no mediastino (cavidade entre os pulmões), deixou diversos músicos perplexos e comovidos. "É muito dificil falar sobre esse momento, tudo se mistura. A amizade, a vida, a arte...é triste, a morte do Geraldo tá entrando nos ossos", desabafou o músico e compositor Bebeto Alves. Ele contou que o músico costumava lhe telefonar durante a madrugada, querendo conversar. “Sinto não termos tido a oportunidade de um disco nosso”, disse.

Flach faleceu nesta segunda-feira no Hospital Mãe de Deus, onde estava internado havia um mês. O velório começou por volta das 23h no Centro Municipal de Cultura (avenida Erico Verissimo, 307). A despedida é aberta ao público e se estende por toda a madrugada e manhã desta terça. No início da tarde, ocorre a cremação, fechada para a família, no Crematório Metropolitano.

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O jornalista, músico e pesquisador Arthur de Faria também destacou o lado afetuoso do instrumentista. "O Geraldão era um queridão. Um ursão amável, pacato e com aquele ar de quem já tinha visto tudo, de cima e de baixo. De dentro e de fora." O músico disse que Flach, mesmo com idade para ser seu pai e pouquíssimos pontos de contato com sua música, parava para escutá-lo e comentar suas composições. “Ele não tinha nada pra aprender comigo”, contou.

Arthur destacou ainda o imenso talento musical do instrumentista, que tinha uma capacidade de improvisação rara. “Ele conseguia sentar na frente de um piano sem nenhuma idéia pré-concebida e só levantar uma hora e meia depois, diante de uma plateia extasiada. Como eu desejei, por muitos anos da minha vida, ser um músico completo como o Geraldo! Nunca consegui."

Artista multimídia

O ator Zé Victor Castiel lembrou também que, além de ser um grande instrumentista, Flach era um artista multimídia: foi um dos maiores produtores de áudio para publicidade e criadores de jingle do Estado. “Nos anos 80, ele foi o fundador da Plug (Produções Fonográficas). Lá por 1986 ou 1987, foi com o Flach e o Sepé Tiaraju de Los Santos que comecei a minha carreira como locutor de publicidade", recordou.

Foi Flach quem também fundou o StudioClio Instituto de Arte e Humanismo, em 2005. O curador e idealizador do espaço, Francisco Marshall, destacou o entusiasmo com que Flach participava do instituto. “Ele sempre contribuiu com ideias originais e espetáculos de grande sensibilidade musical.”

O músico estava com apresentações marcadas para janeiro de 2011 no StudioClio, além de, segundo Marshall, estar planejando “outros projetos bonitos”. “Eu, na verdade, estou muito muito triste com isso. É a perda de um amigo e de um artista muito raro, um sujeito cordial, direto, inteligentíssimo, afetivo com um sentido muito raro da música e do piano."

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