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“A Noiva!” estreia nos cinemas como aposta em thriller gótico

Crítico de cinema Marcos Santuario comenta, em poucos minutos, as produções que podem ser conferidas, a partir desta quinta-feira, dia 5 de março

Crítico de cinema Marcos Santuario
Crítico de cinema Marcos Santuario Foto : Youtube / Reprodução / CP

Em dia de estreias nos cinemas, elas parecem conversar entre si sobre criação, desejo e identidade. No centro desse furacão está “A Noiva!”, refilmagem dirigida por Maggie Gyllenhaal que revisita o mito de Frankenstein pelo avesso. Em vez de olhar para o monstro, a câmera encara a mulher construída para amá-lo. Interpretada por Jessie Buckley, ao lado de Christian Bale e Jake Gyllenhaal, essa nova criatura não nasce para ser coadjuvante de laboratório. Assassinada para se tornar companheira ideal, ela retorna à vida e encontra um mundo que a quer dócil, grata e silenciosa. Só que o que pulsa em suas veias não é obediência, mas sim uma fúria, uma curiosidade e um desejo.

A diretora transforma o romance gótico em ficção científica febril, tensionando o amor como construção social. Que tipo de paixão pode florescer quando alguém é literalmente moldada para agradar? A pergunta ecoa como trovão. A noiva não aceita ser projeto de ninguém. Ela atravessa cenários de violência e obsessão com a vertigem de quem descobre o próprio corpo e entende que ser criada não significa ser controlada. Aqui, ela quer ser inteira, mesmo que isso custe o mundo.

Se “A Noiva!” fala de nascer sob expectativas monstruosas, “Bebê da Mamãe”, da diretora Johanna Moder, estreia mergulhando no terror íntimo da maternidade idealizada. Estrelado por Marie Leuenberger, o longa acompanha uma maestra que realiza o sonho da gravidez por meio de um procedimento experimental. O parto falha, o bebê é retirado, e quando retorna aos seus braços, instala-se a dúvida. É mesmo seu filho? A narrativa, que passou pela Festival Internacional de Cinema de Berlim, prefere o suspense ao melodrama. A promessa de felicidade se desfaz como névoa. O que deveria ser plenitude vira paranoia. Entre beleza clínica e escuridão visual, o filme cutuca a ferida das expectativas sociais. E se o amor materno não for automático? E se o terror estiver na pressão para senti-lo?. A produção estreia somente no Centro de Cultura Ordovás, em Caxias do Sul.

Em outra frequência, mas ainda sob o sol inclemente das cobranças, “De Volta à Bahia” traz romance e juventude para as ondas de Salvador. Com Barbara França e Lucca Picon, o filme acompanha dois surfistas conectados por um resgate que viraliza nas redes. Entre campeonatos e conflitos familiares, o amor floresce com cheiro de maresia. Mas não é só cartão-postal: há pressão por performance, por likes, por vitória. Crescer também é aprender a cair da prancha.

Para as crianças, e para adultos que ainda conversam com seus bichos imaginários, “Cara de Um, Focinho de Outro” apresenta uma tecnologia capaz de transferir a consciência humana para um castor robótico. A aventura dirigida por Daniel Chong brinca com empatia e identidade. Trata da questão de quem somos quando habitamos outro corpo. A animação, com humor e ternura, lembra que entender o outro talvez seja o gesto mais revolucionário de todos.

Quatro estreias e o nervo da criação. Seja no laboratório sombrio, na clínica reluzente, na arrebentação baiana ou no corpo metálico de animal inventado. E se a vida que esperam de você não for a que você quer viver?

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