A narrativa épica “A Odisseia”, clássico de Homero que marcou a literatura ocidental, ganha adaptação para o cinema pela direção de Christopher Nolan. Este aguardado longa-metragem estreia hoje. A duração é de quase 3 horas (exatamente 2 horas e 52 minutos).
O protagonista, Odisseu, é interpretado por Matt Damon. Rei de Ítaca, ele deixa sua ilha para lutar ao lado de Menelau, rei de Esparta, na Guerra de Troia. Quando parte, Odisseu deixa a mulher, Penélope (Anne Hathaway), e o filho, Telêmaco (Tom Holland) no reino.
Gregos e troianos lutaram por dez anos. O fim do período de batalha ocorre com o famoso “Cavalo de Troia”. Recebido pelos troianos como uma oferta a Atena e um possível sinal de paz, a escultura, na verdade, era uma armadilha com soldados gregos escondidos dentro.
Com o passar dos anos e sem notícias de Odisseu, vários pretendentes se apresentam no palácio com interesse em se casar com Penélope. Mas ela protela uma decisão se dedicando à tecelagem de um sudário. Quando fosse finalizada a peça, seria o momento de escolher um novo marido. Mas ela desfazia à noite o que tinha produzido durante o dia. A personagem representa a fidelidade e a paciência.
O filme de Christopher Nolan conta com um elenco estelar. A atriz Zendaya interpreta Atena, deusa grega a quem o herói recorre e tem visões. Robert Pattinson vive um arrogante vilão, Antínoo, que é um dos pretendentes de Penélope. John Leguizamo dá vida ao servo cego Eumeu. O filme conta ainda com as participações de atrizes como Charlize Theron (Calipso) e Lupita Nyong’o (Helena).
As cenas de batalha e navegação são intercaladas com elementos que integram a mitologia grega, com seres monstruosos, como Ciclope, e sereias. A feiticeira Circe, interpretada pela atriz Samantha Morton, integra uma sequência que deve ficar marcada na história do cinema e deixa sua marca no filme como um dos momentos mais sombrios da trama.
Sendo uma obra de tamanha envergadura, “A Odisseia” consegue ser levada ao cinema por Nolan como um desafio satisfatoriamente cumprido. E se havia algum cineasta capaz de fazê-lo era Nolan, acostumado a realizar superproduções (como “Interestelar”, “Oppenheimer”, “A Origem”, “Dunkirk” e “Batman Begins”) sem perder aspectos filosóficos dos dramas. Além disso, ele é reconhecido por seu perfeccionismo técnico. “A Odisseia” foi gravado inteiramente em película IMAX 70mm, por isso, é indicado assistir ao filme em salas com esta tecnologia, para as cidades que as têm.
Filmes nacionais nas telas
O filme brasileiro “Xica da Silva”, de Cacá Diegues (1976), ganha uma versão restaurada em 4K que pode ser vista nos cinemas. Protagonizado por Zezé Motta, o longa completa 50 anos em 2026. A história se passa na segunda metade do século XVIII, quando a negra escravizada Xica da Silva conquista a alforria e se torna o centro das atenções no Distrito Diamantino. João Fernandes, representante da Coroa Portuguesa, apaixona-se por Xica e a transforma na Rainha do Diamante, satisfazendo seus desejos extravagantes. Alertado pelos inimigos do casal, o rei de Portugal manda um emissário a fim de impedir que cresça o poder de Xica na colônia. Esta produção marcou o cinema brasileiro ao colocar uma mulher preta no centro da narrativa.
Outro filme nacional que chega ao cinema é o documentário “A Noite de Alaide”, de Liliane Mutti, sobre a cantora Alaíde Costa, artista da bossa nova.