Cristina Pereira vive uma tartaruga que Charles Darwin trouxe das Ilhas Galápagos - usada como objeto de estudo na Teoria da Evolução - e que, devido à sua longevidade, presenciou grandes acontecimentos dos séculos XIX e XX, como a Revolução Russa, o nazismo e o bombardeio de Guernica. Ela foi adquirindo características humanas: ficando em pé, comendo, etc., e, quando depara com um historiador, passa a contar o que presenciou.
Em forma de mulher, ela se apresenta ao historiador mostrando suas costas para provar ser uma tartaruga, dizendo ter lido seus livros sobre a Europa contemporânea e constatado muitos erros. Passa a lhe contar a sua perspectiva como testemunha ocular da história, se ele a levasse de volta à sua terra natal, já que cansou de viver no mundo civilizado. Extremamente vaidoso, ele tem sua curiosidade aguçada com as revelações, que contrariam sua tese, como a do encontro pessoal entre Hitler e Stalin, além de personagens que ele jamais desconfiou existirem. Mas, ao ficar doente e parar em um médico, que fica abismado com a transformação que o animal sofreu, ela acaba sendo alvo de uma ferrenha disputa entre os dois.
"A peça tem uma análise muito ácida sobre a condição humana e de como tem conduzido sua existência coletivamente. A tartaruga acha que não deu certo, na medida em que ela evoluiu e os homens involuíram", fala Paulo Betti sobre a peça a que assistiu em 2008, na Espanha e, um ano depois, resolveu montar no Brasil.