Arte & Agenda

“A Toca do Coelho” mostra a dura reconstrução após uma tragédia

Com direção de Dan Stulbach, peça tem no elenco Bárbara Paz e Reynaldo Gianecchini

Reynaldo Gianecchini é uma das estrelas da peça A Toca do Coelho
Reynaldo Gianecchini é uma das estrelas da peça A Toca do Coelho Foto : João Caldas / Divulgação / CP
Por Vera Pinto

É possível voltar a sorrir e ser feliz após a morte de um filho? Este é o lema enfrentado por Bárbara Paz e Reynaldo Gianecchini, no papel dos pais de uma criança, morta em um acidente causado por um adolescente, em "A Toca do Coelho", que marca a primeira direção profissional de Dan Stulbah no teatro. A trama é pontuada por silêncios, contando com projeções e um cenário não realista, para falar deste casal que precisa reaprender a lidar um com o outro e reconstruir seu cotidiano. Ela pode ser conferida no Teatro do Sesi (Assis Brasil, 8787), somente neste domingo, às 19h.

Também no elenco, Rafael de Bona como o jovem que causou o incidente e as responsáveis pela parte cômica: Neusa Maria Faro, a avó que também enfrentou a perda de um filho e Simone Zucato, como a tia inconsequente e festeira, que anuncia a gravidez e vem para trazer vida a todo o resto. "Estatisticamente falando, a maioria dos casais que perdem filhos acabam se separando. Aqui, o marido tenta reconquistar a mulher, e diz: 'vamos começar do zero'", fala Simone, sobre a sessão com terapeuta que o elenco frequentou, sobre perdas.

A atriz que queria se auto-produzir há dois anos estava procurando um texto que tivesse o seu perfil, Quando achou este, se apaixonou pelos personagens e fez uma negociação, pagando o direito autoral em aproximadamente um ano e meio. O texto de David Lindsay Abaire estreiou na Broadway em 2006, ganhou o Prêmio Pulitzer e Tony de Atriz para Cynthia Nixon (Sex and the City) e ganhou versão cinematográfica em 2010, "Reencontrando a Felicidade" de John Mitchell, com Nicole Kidman e Aaron Eckhart.

A estreia ocorreu há um ano, em São Paulo, sem dinheiro, com a artista pedindo para os atores e equipe técnica esperarem, escutando dos empresários que não patrocinariam um drama. Médica também, apesar de seu foco ser a carreira artística, antes de ensaiar dava plantão de 6h todos os dias, paga ´poder pagar o elenco, até entrar a verba do patrocínio (Atlas, Algar Telecom, Volks e Porto Seguro), quando respirou aliviada. O espetáculo já passou pelo Rio de Janeiro, Vitória, Belo Horizonte e Florianópolis, e da capital gaúcha vai para o Nordeste, devendo percorrer outras capitais em 2015, além de Portugal.

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