Arte & Agenda

“A Vida é um Sopro” é a grande vencedora da Moenda da Canção

Música de Eduardo Muñoz e Cristian Camargo, que fala da dor da perda de um amigo, arrebatou público e júri na noite deste domingo

Os vencedores da 38ª Moenda da Canção e da 14ª Moenda Instrumental, realizada na noite de domingo, 10 de agosto, em Santo Antônio da Patrulha
Os vencedores da 38ª Moenda da Canção e da 14ª Moenda Instrumental, realizada na noite de domingo, 10 de agosto, em Santo Antônio da Patrulha Foto : Fernando Maguari / Divulgação / CP

No início da madrugada desta segunda-feira, dia 11, os apresentadores Odilon Ramos e Arli Corrêa confirmaram a expectativa do público que acompanhou a 38° Moenda da Canção. “A Vida é Um Sopro” conquistou o primeiro lugar do festival de Santo Antônio da Patrulha, além dos prêmios de Melhor Música na Opinião do Público e Melhor Letra. A canção, composta por Eduardo Muñoz e Cristian Camargo, representando Porto Alegre e Santo Antônio da Patrulha, já havia tocado o coração do público quando da primeira apresentação na sexta-feira, dia 8. Com a canção classificada para a grande final, o intérprete Marcelo Oliveira juntamente com Gustavo Brodinho, Aluisio Rockembach, Felipe Goulart, Maykel Luz e Pedro Kaltbach, confirmaram a expectativa com uma apresentação tocante que entra para a história do festival.

Eduardo Muñoz, autor da letra, conta que essa é uma música que nenhum compositor quer fazer. "Compus após a perda de um colega agrônomo que nos deixou de forma trágica. Um grande amigo. A Vida é Um Sopro homenageia ele, que com certeza esteve com a gente no palco e cuidando de todos lá de cima", revela. Participando pela primeira vez da Moenda ele foi às lágrimas quando do anúncio da premiação. Muñoz é um dos grandes nomes da nova geração de letristas que estão a emocionar e manter viva a chama dos festivais no Estado.

Nos últimos anos venceu a Coxilha Nativista, em Cruz Alta, a Seara da Canção, em Carazinho, e a Sapecada da Canção em Lajes, Santa Catarina, três dos principais eventos do gênero.

Cristian Camargo, parceiro de Muñoz na melodia, venceu o festival pela segunda vez. Na primeira, em 2019, foi autor de letra e melodia de “Mil Vidas Para Amar”, interpretada por Juliano Barreto, mas ressalta a importância desta música.

"Ela tem um significado muito especial para nós, autores, pois trata da perda deste amigo que conheci através do Muñoz. E que era muito fã do Marcelo Oliveira. Fizemos a composição e ela não passou em pelo menos dois festivais. Ficou adormecida. Talvez estava esperando justamente o tempo certo para voltar. E voltou justamente na Moenda, coincidindo com a minha mudança para Santo Antônio da Patrulha, em um insight que o Munoz teve de enviar a música para cá. Uma obra intimista e que mesmo assim foi a melhor música eleita pelo público".

Segundo e terceiro lugares

“Sobre Meus Pés”, de Cleber Brenner, foi a segunda colocada. Representando Santa Maria ela teve interpretação de Adriana Sperandir, melhor intérprete do festival, e ainda recebeu o troféu de melhor arranjo para Cristian Sperandir.

O terceiro lugar ficou com “Se Um Dia a Terra Falasse”, de Juca Moraes e Diogo Barcelos, representando Cruz Alta e Santo Antônio da Patrulha, que também foi eleita a melhor melodia.

Como diz um dos clássicos do festival, A Moenda e o Tempo, de Mário Tressoldi e Chico Saga, a Moenda girou. E que giro. Para Nilton Júnior, presidente da Moenda - Associação de Cultura e Arte Nativa, foi um festival com belíssimas canções, emoção todas as noites, intérpretes e instrumentistas de nível mundial que passaram pelo palco do festival e brindaram a todos os presentes e quem assistiu de casa com obras que ficarão na memória e no coração por muito tempo.

"Uma Moenda que celebrou o pertencimento de uma cidade com seu festival e com sua história. Uma festa que se consolida e ganha força a cada ano pela dedicação e entrega de quem trabalha por ela e que cada vez quer deixá-la melhor para quem visita e para quem vive em Santo Antônio da Patrulha. Muito obrigado a cada um que faz deste um dos maiores festivais de música do Mercosul e que, assim como a gente, cresce com música! Seguimos somando e sonhando", diz Nilton.

Durante os três dias de Moenda, que teve shows de Rafa Machado, Os Fagundes e Juntos com Antonio Villeroy, Gelson Oliveira e Nelson Coelho de Castro no Tributo a Bebeto Alves, mais de 6 mil pessoas circularam pelo Ginásio Caetano Tedesco. A 38ª Moenda da Canção, 14ª Moenda Instrumental e 4ª Moendinha tem a realização de Moenda - Associação de Cultura e Arte Nativa, apoio da Prefeitura Municipal de Santo Antônio da Patrulha, produção da R. Morais Produtora e JBA Produções Culturais, patrocínio de Da Colônia Alimentos Naturais, De Mello e Arroz Massulo e financiamento Pró-Cultura - Governo do Estado do Rio Grande do Sul - O Futuro nos Une.

TODOS OS PREMIADOS DA 38ª MOENDA DA CANÇÃO E DA 14ª MOENDA INSTRUMENTAL

  • 1º lugar - A Vida é Um Sopro. Letra: Eduardo Muñoz. Melodia: Cristian Camargo
  • 2º lugar - Sobre Os Meus Pés. Letra e melodia: Cleber Brenner
  • 3º lugar - Se, Um Dia, a Terra Falasse. Letra: Juca Moraes. Melodia: Diogo Barcelos
  • Melhor música na opinião do público - A Vida é Um Sopro
  • Melhor música instrumental - Panderô. Autor: Mathias 7 Cordas
  • Melhor arranjo - Sobre Os Meus Pés, de Cristian Sperandir
  • Melhor melodia: Se, Um Dia, a Terra Falasse, de Diogo Barcelos
  • Melhor instrumentista - Guilherme Sanchez, na música Panderô
  • Melhor intérprete - Adriana Sperandir, na música Sobre Os Meus Pés
  • Melhor letra - A Vida é Um Sopro, de Eduardo Muñoz

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