As atrizes estavam aos prantos na premiação, ao lado do diretor, e foram longamente ovacionadas por esse filme que se centra nesta história sobre o primeiro amor e a descoberta da sexualidade. "Nós nos sentimos privilegiados de assistir a esse filme, e não incomodados (...) É a história de um amor profundo, magnífico. O diretor usou uma narrativa ousada. Ficamos encantados com o filme, com as atrizes formidáveis. O diretor permitiu que as personagens realmente ganhassem vida", declarou Steven Spielberg durante a entrevista coletiva à imprensa após a cerimônia de encerramento.
Steven Spielberg se disse certo de que "A Vida de Adèle" terá "um grande público e uma bela recepção nos EUA". "Não é a política que nos influenciou, mas o filme", frisou ainda o americano no mesmo dia que em Paris uma grande manifestação contra o casamento homossexual era
realizada.
A obra de Kechiche, na qual a jovem Adèle Exarchopoulos, até agora quase desconhecida, divide a tela com Léa Seydoux, contém fortes cenas de sexo entre mulheres, que
revelam uma bela história de amor.
Nas outras premiações da noite, os prêmios para as melhores interpretações masculina e feminina ficaram com o americano Bruce Dern, de 76 anos, por sua atuação como um
velho amargo em "Nebraska", do diretor Alexander Payne, e com a franco-argentina Bérénice Bejo, de 36, por seu papel de uma mãe destroçada em "Le Passé", do iraniano Asghar Farhadi.
Bejo e Farhadi ficaram mais conhecidos durante o Oscar em 2012, quando ela arrancou aplausos por sua atuação no grande vencedor da cerimônia "O Artista", de Michel Hazanavicius, e ele conquistou a crítica americana com "A Separação", premiado como melhor produção estrangeira.
O Grande Prêmio foi concedido aos irmãos Coen, por sua obra "Inside Llewyn Davis", um filme nostálgico e engraçado sobre o Greenwich Village de 1961 e a música folk que começava a fazer sucesso. Neste filme com toques de humor, no qual a música ocupa um lugar central com canções interpretadas ao vivo, a estrela em ascensão do cinema americano, Oscar Isaac, se
revela um bom músico e cantor de folk, com destaque também para o 'pop star' Justin Timberlake, seu amigo no filme.
O júri de Cannes 2013 também premiou o mexicano Amat Escalante, de "Heli", como melhor diretor. Seu filme mostra sem pudores os estragos causados pela corrupção e pelo narcotráfico no México. O prêmio do Júri foi para o diretor japonês Hirokazu Kore-Eda por "Like father, like son", e o chinês Jia Zhangke recebeu o de melhor roteiro por "A touch of sin".
Lista dos premiados do 66º Festival de cinema de Cannes:
• Palma de Ouro (coletiva): Abdellatif Kechiche (diretor), Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux (protagonistas) por "A vida de Adèle";
• Grande Prêmio : "Inside Llewyn Davis", de Joel e Ethan Coen - Prêmio de interpretação feminina: Bérénice Bejo por seu papel em "Le passé";
• Prêmio de interpretação masculina: Bruce Dern por seu papel em "Nebraska";
• Prêmio de melhor diretor: Amat Escalante por "Heli"; - Prêmio de melhor roteiro: Jia Zhangke por "Tian Zhu Ding" ("A touch of sin");
• Prêmio do Júri: "Like Father Like Son", de Hirokazu Koreeda; - Câmera de Ouro: "Ilo ilo", de Antony Chen (Cingapura);
• Palma de Ouro de curta-metragem: "Safe" de Byoung-Gon Moon (Coreia do Sul).