Arte & Agenda

"A vida de Adéle" recebe a Palma de Ouro no Festival de Cannes

Prêmio mais cobiçado vai para drama sobre o primeiro amor e a sexualidade

Prêmio mais cobiçado vai para drama sobre o primeiro amor e a sexualidade
Prêmio mais cobiçado vai para drama sobre o primeiro amor e a sexualidade Foto : Alberto Pizzoli / AFP / CP
Em sua edição 66, o Festival de Cannes viu subirem ao palco, neste domingo, o diretor Abdellatif Kechiche e suas duas atrizes Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux para receber a Palma de Ouro, o mais cobiçado prêmio da competição. O sexagenário festival, com seus jurados nobre da edição, presidido pelo hollywoodiano Steven Spielberg e estrelas do porte de Nicole Kidman, Daniel Auteuil e Christoph Waltz, reverenciou o "A Vida de Adèle", drama que traz Adèle (Adèle Exarchopoulos), uma estudante de 15 anos que se envolve com homens até conhecer Emma (Léa Seydoux), uma jovem de cabelos azuis, estudante de Belas Artes. Com ela, Adèle vai descobrir o desejo e a paixão, aprende a se conhecer e a se tornar mulher.

As atrizes estavam aos prantos na premiação, ao lado do diretor, e foram longamente ovacionadas por esse filme que se centra nesta história sobre o primeiro amor e a descoberta da sexualidade. "Nós nos sentimos privilegiados de assistir a esse filme, e não incomodados (...) É a história de um amor profundo, magnífico. O diretor usou uma narrativa ousada. Ficamos encantados com o filme, com as atrizes formidáveis. O diretor permitiu que as personagens realmente ganhassem vida", declarou Steven Spielberg durante a entrevista coletiva à imprensa após a cerimônia de encerramento.

Steven Spielberg se disse certo de que "A Vida de Adèle" terá "um grande público e uma bela recepção nos EUA". "Não é a política que nos influenciou, mas o filme", frisou ainda o americano no mesmo dia que em Paris uma grande manifestação contra o casamento homossexual era
realizada.

A obra de Kechiche, na qual a jovem Adèle Exarchopoulos, até agora quase desconhecida, divide a tela com Léa Seydoux, contém fortes cenas de sexo entre mulheres, que
revelam uma bela história de amor.

Nas outras premiações da noite, os prêmios para as melhores interpretações masculina e feminina ficaram com o americano Bruce Dern, de 76 anos, por sua atuação como um
velho amargo em "Nebraska", do diretor Alexander Payne, e com a franco-argentina Bérénice Bejo, de 36, por seu papel de uma mãe destroçada em "Le Passé", do iraniano Asghar Farhadi.

Bejo e Farhadi ficaram mais conhecidos durante o Oscar em 2012, quando ela arrancou aplausos por sua atuação no grande vencedor da cerimônia "O Artista", de Michel Hazanavicius, e ele conquistou a crítica americana com "A Separação", premiado como melhor produção estrangeira.

O Grande Prêmio foi concedido aos irmãos Coen, por sua obra "Inside Llewyn Davis", um filme nostálgico e engraçado sobre o Greenwich Village de 1961 e a música folk que começava a fazer sucesso. Neste filme com toques de humor, no qual a música ocupa um lugar central com canções interpretadas ao vivo, a estrela em ascensão do cinema americano, Oscar Isaac, se
revela um bom músico e cantor de folk, com destaque também para o 'pop star' Justin Timberlake, seu amigo no filme.

O júri de Cannes 2013 também premiou o mexicano Amat Escalante, de "Heli", como melhor diretor. Seu filme mostra sem pudores os estragos causados pela corrupção e pelo narcotráfico no México. O prêmio do Júri foi para o diretor japonês Hirokazu Kore-Eda por "Like father, like son", e o chinês Jia Zhangke recebeu o de melhor roteiro por "A touch of sin".

Lista dos premiados do 66º Festival de cinema de Cannes:

• Palma de Ouro (coletiva): Abdellatif Kechiche (diretor), Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux (protagonistas) por "A vida de Adèle";
• Grande Prêmio : "Inside Llewyn Davis", de Joel e Ethan Coen - Prêmio de interpretação feminina: Bérénice Bejo por seu papel em "Le passé";
• Prêmio de interpretação masculina: Bruce Dern por seu papel em "Nebraska";
• Prêmio de melhor diretor: Amat Escalante por "Heli"; - Prêmio de melhor roteiro: Jia Zhangke por "Tian Zhu Ding" ("A touch of sin");
• Prêmio do Júri: "Like Father Like Son", de Hirokazu Koreeda; - Câmera de Ouro: "Ilo ilo", de Antony Chen (Cingapura);
• Palma de Ouro de curta-metragem: "Safe" de Byoung-Gon Moon (Coreia do Sul).

Bookmark and Share

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta deste sábado, dia 17 de outubro de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio