Arte & Agenda

Abertura da Feira do Livro lembra morte de xerife

Minuto de silêncio foi feito em homenagem ao responsável pelas badaladas do sino no evento

Banco de Livros lançou uma campanha de doação de obras
Banco de Livros lançou uma campanha de doação de obras Foto : Fabiano do Amaral
Sem o som do sino badalado por xerife, José Júlio La Porta, que morreu na semana passada, a 59ª edição da Feira do Livro foi aberta na noite desta sexta-feira em Porto Alegre. A solenidade começou pouco depois das 19h na Praça de Autógrafos, com a presença do patrono Luís Augusto Fischer, do prefeito interino, Sebastião Melo, do secretário estadual de Cultura, Luiz Antônio Assis Brasil e o presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Osvaldo Santucci. 

Neste ano, devido às obras de revitalização do Cais Mauá, a Feira ocorrerá até o dia 17 de novembro apenas na Praça da Alfândega. No total, cerca de 140 estandes ocuparão a área. Na cerimônia de abertura foi lembrada a ausência de xerife, que morreu após ser internado com o Mal de Alzheimer. Durante 36 anos, La Porta foi o responsável pelo característico badalo do sino no início e fim do evento. Um grupo de crianças com chapéus e distintivos levaram sinos em homenagem ao homem.

O presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL), Osvaldo Santucci Junior, contou histórias de xerife e do zelo com que ele cuidava das bancas da Feira. “Depois de 36 anos, a Feira não contará com a companhia amiga do nosso querido xerife. Ele era uma grande pessoa e cuidava como ninguém dos nossos livros. Se chovesse de madrugada, aqui estaria ele preocupado com as bancas”, relembrou, antes de pedir um minuto de silêncio.

Patrono da 59ª edição, Fischer fez uma comparação do espaço do evento com o desenvolvimento das cidades. “Grandes municípios nasceram de feiras e se desenvolveram em torno delas. Até guerras foram suspensas para que uma feira ocorresse. Além disso, as cidades cresceram ao redor de praças. Em Porto Alegre, as praças, feiras e livros estão na alma da cidade”, comentou.

O escritor Luiz Coronel destacou em seu pronunciamento o esforço da comunidade para que a 59ª edição da Feira ocorresse neste ano. “É um esforço e uma conquista dos livreiros de Porto Alegre e de sua comunidade. Num momento de banalização das grandes causas, um evento como esse favorece o pensamento e o debate”, ressaltou.

Doação de livros

No fim da cerimônia, o Banco de Livros lançou uma campanha de doação de obras. Com o nome “Liberte seus atores da estante”, o objetivo do projeto é estimular nas pessoas o desapego de livros esquecidos em prateleiras.

Com imagens de escritores atrás de grandes, inclusive com a colaboração do patrono Fischer, a iniciativa terá caixas de coleta espalhadas pela Feira. Assim, as obras que já foram lidas ou que estão esquecidas poderão chegar às mãos de novos leitores.


Banco de Livros lançou uma campanha de doação de obras | Foto: Fabiano do Amaral


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