Dona de potente e multifacetada produção artística, ao longo de vinte anos, a carioca Panmela Castro vem construindo uma trajetória que articula arte e ativismo. Sua produção se estrutura a partir do conceito de "deriva afetiva", no qual o acaso não apenas permeia sua obra, mas se torna o sujeito dos acontecimentos que a constituem. Sua prática se inicia na performance, compreendida como processo relacional que se desdobra em pintura, escultura, instalação, vídeo e fotografia. Hoje, às 14h, ela estreia na Fundação Iberê (Padre Cacique, 2000) com a individual “A Crônica da Não-Solidão”, que conta sobre uma forma de pertencer ao mundo pela arte.
A exposição parte da experiência da artista com a solidão para afirmar a criação artística como campo de subversão e de existir através das relações de alteridade. A mostra constrói uma narrativa que subverte a violência com proposição de dororidade, articulando obras autobiográficas, proposições participativas e diálogo direto com a obra de Iberê Camargo. Entre as mais de 50 obras, 15 foram feitas para a mostra, como uma pintura em grandes dimensões – 200x400 cm – da série “Artistas no Ateliê”, retratando Iberê em releitura de “Solidão”, o último quadro do artista.
O Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS) marca nova fase em sua sede no 4º Distrito (Comendador Azevedo, 256) com a expansão da mostra “Da margem à beleza”, do paulistano Eduardo Srur. Com curadoria de Fernando Zugno, a exposição inaugura hoje, ocupando o espaço entregue em agosto de 2025.
O projeto propõe diálogo com a realidade urbana e industrial da região para discutir consumo, descarte, reciclagem e sustentabilidade. A visitação pode ser feita de 15 de março a 12 de julho (terças a sextas, das 12h às 18h, e finais de semana e feriados, 10h às 18h).
Srur apresenta mais de 40 obras, incluindo pinturas, instalações e vídeos que demonstram a convivência diária com o excesso de resíduos, revelando a “coreografia silenciosa do lixo” na vida contemporânea ao utilizar materiais como sacolas plásticas recolhidas em margens de rios, alimentos industrializados, carrinhos de supermercado e caçambas de entulho, deslocando o olhar comum.