Na noite dessa sexta-feira, um oficial de justiça foi ao cinema, localizado no Centro do Rio de Janeiro, com um mandado de apreensão da cópia do longa-metragem. "Recebi uma ligação do Grupo Estação [administrador do Cine Odeon] dizendo que um ofcial de justiça interrompeu a sessão anterior à nossa para apreender a cópia do longa", afirmou Raffaele Petrini, distribuidor da Petrini Filmes. "Fui para o cinema correndo e tentei argumentar com ele se havia assistido ao filme, se tinha projetor em 35mm para exibi-lo e avaliá-lo. Garanto que ninguém assistiu ao filme".
O mandado de apreensão foi expedido pela juíza Katerine Jatahy Nygaard, da 1ª Vara da Infância, Juventude e Idoso do Rio de Janeiro, a partir de uma ação ajuizada pelo diretório regional do partido DEM (Democratas). O texto da ação diz que "O filme apresenta cenas de incesto (com imagens de criança de cinco anos sendo violentada sexualmente pelo pai) e violência a granel". Petrine questiona o texto da ação: "é curioso que tenha sido usado o termo 'violência a granel', pois é o mesmo termo utilizado na reportagem da Folha de São Paulo"
No Brasil, a polêmica esquentou após o diretor Srdjan Spasojevic conceder entrevista à Folha. Três dias depois, a assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal (CEF) lançou um comunicado dizendo que vetou a exibição na Caixa Cultural. Os organizadores decidiram manter o horário, mas mudar o local para o Cine Odeon.
Mesmo com a proibição pela Justiça, está sendo organizado um protesto online na hora em que estava prevista a exibição no Cine Odeon. “Para que, além do protesto simbólico, pensemos em que atitudes tomar para que nenhum rastro de censura tenha espaço nesse país”, diz a mensagem que circula pelo Facebook.