A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou nesta quinta-feira mudanças importantes no processo de eleição do vencedor na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, o que pode ajudar países cujos títulos representantes não têm muita exposição no circuito americano. Na segunda etapa, que reduz a lista de nove obras para os cincos finalistas, os comitês de votação passarão a ser compostos também por membros internacionais. Além disso, pela primeira vez, alguns eleitores poderão transmitir filmes concorrentes no site dos associados da Academia.
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Contudo, as mudanças não afetam a primeira rodada de votação, na qual os voluntários de todos os ramos da Academia assistem e dão uma nota numérica aos filmes submetidos e que neste ano alcançaram um número recorde: são 92 filmes elegíveis. Essas obras serão exibições nos teatros Samuel Goldwyn e Linwood Dunn, em Beverly Hills e Hollywood, respectivamente. Suas pontuações determinam os seis melhores filmes que irão para a próxima fase. Em seguida, os membros do comitê executivo se encontrarão e escolherão mais três longas para preencher essa lista, que será anunciada em dezembro.
No passado, os nove selecionados eram exibidos em três dias de janeiro para os comitês da Fase 2, em Los Angeles, São Francisco, Nova Iorque e Londres. Ao todo, eram 40 votantes - 10 escolhidos aleatoriamente pelo comitê geral e 30 recrutados por Johnson em consulta com o comitê executivo. Eles assistiam a três filmes na sexta-feira, três no sábado e três no domingo antes da votação que determinaria os cinco indicados. Agora, todos os 1.200 membros da Academia estão convidados a participar da votação, desde que se comprometam a ver os nove selecionados: se eles já assistiram a alguma das obras nos cinemas ou em algum festival, não precisarão voltar a assisti-la na exibição oficial do Oscar.
O presidente da Academia, John Bailey, e o presidente do Comitê Executivo do Comitê de Língua Estrangeira, Mark Johnson, comunicaram os membros sobre as mudanças nesta semana, conforme o site The Wrap. Em entrevista à publicação, Bailey disse que a alteração na regra "possui o potencial de não só envolver mais centenas de membros na segunda fase da votação, mas também apoiar seu desejo de se envolver mais com esse prêmio, especialmente internacionalmente, Porque os membros internacionais consideram que este é o Oscar deles".
"Bingo - O Rei das Manhãs", com direção de Daniel Rezende, foi o longa nacional escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o país no próximo ano. Mais de 200 membros da comissão formada por profissionais da área cinematográfica ajudaram na tomada de decisão. O drama estrelado por Vladimir Brichta aborda a vida de Arlindo Barreto, um dos intérpretes do palhaço Bozo na televisão brasileira na década de 80. Apesar da fama, ele não era reconhecido pelo público na rua, o que o levou à frustração e envolvimento com drogas.
Para figurar entre os nove finalistas, o título nacional vai disputar com nomes de peso, como “The Square”, da Suécia, que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2017, e “In the Fade”, da Alemanha, cuja protagonista Diane Kruger venceu o prêmio de Melhor Atriz no mesmo evento. Além destes, outros títulos com força são “120 battements par minute”, da França, sobre um grupo militante em Paris nos anos 1990 que multiplica seus esforços para combater a indiferença geral em relação à AIDS; o austríaco “Happy End”, de Michael Haneke, que traz uma síntese do renomado cineasta em um drama sobre a decadência e a falta de vida da burguesia, o chileno “Una Mujer Fantastica”, protagonizado pela atriz trans Daniela Vega; e “First They Killed My Father”, de Angelina Jolie, que representará o Camboja contando a história de uma sobrevivente do regiem do Khmer Vermelho.
Academia realiza mudanças na votação para Melhor Filme Estrangeiro no Oscar
Agora, todos os membros internacionais poderão votar na segunda fase da votação