No show, o quarteto, completado por Davi Moraes (violão), Domenico Lancellotti (bateria) e Alberto Continentino (contrabaixo), ocupa um palco sem cenário, "sem nada", adianta Adriana, que comenta: fora o repertório do disco, estarão "Dos Prazeres das Canções" (Péricles Cavalcanti), "Esses Moços" (Lupicínio Rodrigues) e "Argumento" (Paulinho da Viola).
A novidade do show é justamente essa. Ao invés de acrescentar canções suas em propostas de interpretações, agora Adriana se mostra a cada canção e os outros compositores é que a visitam - e só no show. Das 12 faixas, duas já são conhecidas: "Beijo Sem", feita para Marisa Monte, recém-gravada por Tereza Cristina, e "Vai Saber", cantada por Marisa.
O disco nasceu por acaso. "Nunca imaginei que faria um álbum de gênero único e muito menos um projeto só de canções minhas, mas aconteceu, e de forma muito simples e espontânea", diz ela, que conta: "Primeiro senti vontade de registrar os sambas que tinha composto, para organização interna da minha editora. Gravaria para guardar num CD com uma etiqueta do tipo ''os sambas''. Depois foi que resolvi partilhar o registro e lançar como álbum. Acho que foi quando apareceu o nome, ''O Micróbio do Samba''. Ficou irresistível".
O título diz muito sobre o álbum. Se "micróbio do samba" era um expressão pejorativa para mulheres no anos 30 e servia de coroa para os homens, agora Adriana festeja seu micróbio. "Saiu assim, mas vejo que fez bem à autoestima feminina, tenho percebido isso nos shows, uma cumplicidade, uma gratidão. Não pensei sobre nada disso quando compus, claro. Fui fazendo um samba aqui outro lá, e só quando gravei foi que tive noção de conjunto", comenta. Para ela, o samba não é gênero, mas "superação, resistência e permeabilidade, música de preto, música do Brasil, invenção".
A turnê passou por Itália, Portugal, Eslovênia, Argentina, Alemanha e Holanda. No Brasil, foi a Salvador, Natal, Belo Horizonte e segue por Rio, São Paulo e interior. Em novembro, vai ao Japão. "A ideia é contaminar o mundo!", conta.