Desde terça-feira e durante uma semana, ele ficará instalado no primeiro aeroporto internacional do mundo, com um acesso ilimitado à torre de controle e às salas de embarque e chegada, que veem passar anualmente 65 milhões de passageiros.
"Acho que o lado glamouroso da viagem em avião acabou nos últimos anos, principalmente depois do 11 de Setembro. Passamos a ver os aeroportos como um lugar onde precisamos tirar os sapatos e o cinto e onde precisamos esperar com paciência, durante horas", constata. "Mas não é necessário empregar muitos esforços para encontrar um drama, vidas e amores perturbados, gente que se encontra e se separa. E, enquanto escritor, isso me atrai enormemente", comenta.
Tony Parsons, autor do romance "Man and Boy", sucesso no Reino Unido, é o segundo escritor a se instalar no Heathrow. O filósofo Alain de Botton viveu aí em 2009 e escreveu um livro bem recebido pela crítica. Ao contrário do predecessor, Tony Parsons quer compor uma obra de ficção, com 5 mil exemplares a serem distribuídos gratuitamente aos passageiros de Heathrow, em outubro.
O livro de contos, intitulado "Departures", Partidas, numa tradução literal, será inspirado na vida dos passageiros e dos 76 mil tripulantes, encarregados de limpeza e funcionários da segurança, que fazem o aeroporto funcionar as 24 horas do dia. O escritor é, ele próprio, um apaixonado por viagens e passa regularmente por Heathrow com a mulher, a japonesa Yuriko.
“Imagino um roteiro focalizando a ‘torre de controle’ com um funcionário se apaixonando pela colega, ao vê-la ajudar a fazer pousar um avião em meio à chuva londrina. (...) Mas não sei se terei muito assunto. Há um pouco de silêncio sagrado lá em cima", observa.