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Aeroporto vira residência de escritor durante uma semana

Tony Parsons tem acesso ilimitado à torre de controle e às salas de embarque e chegada

Aeroporto vira residência de escritor durante uma semana
Aeroporto vira residência de escritor durante uma semana Foto : Ben Stansall / AFP / CP
O aeroporto de Heathrow, em Londres, agita-se febrilmente, com voos cancelados, bagagens extraviadas, famílias que se encontram e se separam – uma fabulosa fonte de inspiração para o britânico Tony Parsons, que estabeleceu residência no local para escrever seu próximo livro. Os aeroportos são "uma porta de embarque para a aventura", conta o escritor de 57 anos, vendo passar os viajantes pelo terminal 5 de Heathrow.

Desde terça-feira e durante uma semana, ele ficará instalado no primeiro aeroporto internacional do mundo, com um acesso ilimitado à torre de controle e às salas de embarque e chegada, que veem passar anualmente 65 milhões de passageiros.

"Acho que o lado glamouroso da viagem em avião acabou nos últimos anos, principalmente depois do 11 de Setembro. Passamos a ver os aeroportos como um lugar onde precisamos tirar os sapatos e o cinto e onde precisamos esperar com paciência, durante horas", constata. "Mas não é necessário empregar muitos esforços para encontrar um drama, vidas e amores perturbados, gente que se encontra e se separa. E, enquanto escritor, isso me atrai enormemente", comenta.

Tony Parsons, autor do romance "Man and Boy", sucesso no Reino Unido, é o segundo escritor a se instalar no Heathrow. O filósofo Alain de Botton viveu aí em 2009 e escreveu um livro bem recebido pela crítica. Ao contrário do predecessor, Tony Parsons quer compor uma obra de ficção, com 5 mil exemplares a serem distribuídos gratuitamente aos passageiros de Heathrow, em outubro.

O livro de contos, intitulado "Departures", Partidas, numa tradução literal, será inspirado na vida dos passageiros e dos 76 mil tripulantes, encarregados de limpeza e funcionários da segurança, que fazem o aeroporto funcionar as 24 horas do dia. O escritor é, ele próprio, um apaixonado por viagens e passa regularmente por Heathrow com a mulher, a japonesa Yuriko.

“Imagino um roteiro focalizando a ‘torre de controle’ com um funcionário se apaixonando pela colega, ao vê-la ajudar a fazer pousar um avião em meio à chuva londrina. (...) Mas não sei se terei muito assunto. Há um pouco de silêncio sagrado lá em cima", observa.

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