Diversão é solução sim. Quem se atém à frase anterior, pode achar que estamos falando do Titãs, uma das bandas-símbolo da retomada do rock nacional nos anos 80. Só que não. Diversão, maturidade, tranquilidade, desprendimento são alguns dos sentimentos passados pelo líder do Skank, o guitarrista e vocalista Samuel Rosa, em entrevista ao Correio do Povo. A banda mineira mostra a nova turnê "Velocia", que já passou por Rio de Janeiro, Florianópolis e São Paulo, desde o final de 2014, desta vez em Porto Alegre, no palco do Auditório Araújo Vianna (Osvaldo Aranha, 865) em única apresentação nesta quinta, 23 de abril, às 21h. Os ingressos estão à venda na bilheteria do Teatro Bourbon Country e pelo Ingresso Rápido (com taxa de conveniência).
Dizendo ter uma predileção pelo Rio Grande do Sul por achar que alguns estados fora do eixo RJ-SP, como Minas Gerais e Pernambuco terem esta característica de autonomia, Samuel conta que o repertório do show da turnê "Velocia" tem sete das 11 músicas do disco de 2014, que dá nome à tour, entre as quais "Alexia", "Ela Me Deixou", parceria de de Samuel Rosa e Nando Reis; "Esquecimento", e "Do Mesmo Jeito", feita em parceria com o gaúcho Lucas Silveira, da Fresno. Os sucessos da banda formada por Samuel Rosa (guitarra e voz), Henrique Portugal (teclados), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferretti (bateria) não podem e nem devem ficar de fora. "É uma partida de futebol", "Dois Rios"," Jackie Tequila", "Saideira", "Resposta", " Te Ver e "Garota Nacional" não devem faltar. "A gente conseguiu fazer a nossa música, com qualidade, e nunca deixar de figurar em alguma FM ou TVs. Estamos no esquema de gravadora, mas nunca precisamos abrir mão do som que a gente quer fazer", afirma Samuel.
O Skank nasceu em 1991, em Belo Horizonte (MG), com a missão de transportar o clima do dancehall jamaicano para a tradição pop brasileira. O primeiro álbum, "Skank", foi lançado de forma independente, em 1993. O segundo disco, "Calango", de 1994, vendeu mais de 1 milhão de cópias, com músicas como "Jackie Tequila" e "Te Ver". O álbum "Samba Poconé", de 1996, levou a banda ao mercado internacional, com destaque para o single "Garota Nacional" e quase 2 milhões de cópias vendidas no Brasil. A música da banda passou a equalizar as origens eletrônicas com novas influências psicodélicas e acústicas para os álbuns "Siderado" (1998) e "Maquinarama" (2000). A década passada foi de dois discos ao vivo - "MTV ao Vivo - Skank' (2001) e "Multishow ao Vivo - Skank no Mineirão" (2010), além de uma média de um disco a cada dois anos, com Cosmotron (2003), "Radiola" (2004), "Carrossel" (2006) e "Estandarte" (2008). Em 2012, a banda lançou "91" e em 2014, "Velocia". Com mais de 5,5 milhões de discos vendidos, o Skank vive atualmente o privilégio de manter a fidelidade de seu público, mas arriscar em sonoridades novas.
Em entrevista ao Correio do Povo, Samuel Rosa fala sobre o novo show, a carreira e outros temas.
Correio do Povo - Como este disco "Velocia" se insere na trajetória do Skank?
Samuel Rosa - Velocia começou a ser construído no final de 2013 e lançado no segundo semestre de 2014. Ele demorou um pouco mais do que os outros discos, pois escolhemos não adotar a regra de confinamento. Gravávamos em intervalos das turnês, sempre em doses homeopáticas. Quando eu penso na época da feitura do disco, creio que foi o menos premeditado de todos. Foi espontâneo, não tinha ideias pré-concebidas, como no tempo de Maquinarama e Cosmotron, que queríamos romper com o nosso perfil de fazer um som mais tropical. É um disco autorreferente.
CP - A banda ainda consegue fazer o que quer, sons mais elaborados e atingir o público. Qual é a fórmula desta equação?
Samuel - A equação vem se tornando cada vez mais difícil. Nós estamos no universo do modelo clássico de gravadoras, precisando ter algum tipo de apelo. Nascemos neste universo, mas sempre quisemos conversar com fãs. Sempre pensamos que é possível fazer coisas mais consistente e ter uma certa abrangência, falar com o povão. Isto virou uma espécie de assinatura do Skank. Qualquer caminho que a gente escolha, mesmo em Maquinarama, Cosmotron ou até em Carrossel, a gente afundou o pé, pensamos se deveríamos negar o Skank dos anos 90, mas somos uma banda que fala para muita gente. Em Velocia, não tivemos a preocupação de rompimento. Temos uma formação mestiça, de misturas musicais. O Leo só escuta soul, o Henrique gosta de progressivo, de Emerson, Lake & Palmer. O Skank flerta com várias frentes. Nunca tivemos muita formalidade em meter a mão e transformar o nosso som.
CP - Qual a sua relação, a da banda, com o Rio Grande do Sul?
Samuel - Eu tenho uma certa predileção pelo sul do Brasil. Talvez seja o lugar fora do eixo RJ-SP que a gente mais se conecte com o público e com os grupos, os músicos. Foi a banda que mais vezes tocou no Planeta, em Atlântida. Excursionamos com a Cachorro Grande. A Acústicos & Valvulados gravou no nosso estúdio e teve disco produzido pelo Henrique e pelo Haroldo. Neste disco, Velocia, gravamos "Do Mesmo Jeito", que é do Lucas Silveira, da Fresno. A cena de Porto Alegre é mais parecida que conhecemos com a cena belo-horizontina. Esta conexão talvez tenha sido facilitada pela contingência periférica e também por serem dois estados tradicionais da política e da cultura brasileira. Somos autônomos e um pouco rebeldes, mas temos sempre algo a dizer.
CP - Depois de 24 anos de estrada, há ainda alguma coisa a almejar, sonhar, projetar com a banda?
Samuel - Quando olho para trás, eu vejo que o Skank conseguiu unificar o cinturão - da crítica e do público. Fizemos um milhão de cópias no segundo álbum. A cada disco, é difícil quem não lembre pelo menos uma ou duas músicas. Já tocamos em mais de 16 países e com muitos parceiros. Tocamos "Saideira" com Carlos Santana. Tocamos no Rock in Rio. Recebemos todas as premiações possíveis. Em uma matéria de jornal, chegaram a dizer que mesmo que o rock nacional pareça moribundo, o Skank ainda é uma das poucas bandas que o vocalista também é guitarrista. Em 2014, "Ela me Deixou" foi a única música de rock a figurar entre as 100 mais tocadas das rádios, numa lista cheia de sertanejo, funk e axé.
CP - Então agora o caminho é desfrutar o que vocês conquistaram?
Samuel - Agora preciso desfrutar tudo que fizemos para chegar até aqui. Em nenhum momento da carreira, estive tão relaxado, não é desleixo, mas tão tranquilo, podendo apertar o botão do "foda-se". Estou com uma leveza maior para tocar o barco. Agora é que comecei a me divertir. Quero continuar vivendo um certo desprendimento. Finalmente eu vejo a música como minha necessidade vital, de sobrevivência. Não pode ter esforço demais. Paul McCartney falou isto em uma entrevista. Não sei se o Skank vai fazer um disco revolucionário ou eu vou fazer um disco solo. Isto não é vital, a música sim, fazer shows e empolgar a gente e o público isto também. O cara que queria ser um jogador de futebol é feliz por ser músico. Estes dias toquei com o Lô Borges. Quero esta vitalidade e essa sensação de juventude. Por isso, eu convido a gauchada para comparecer ao Araújo Vianna, pois queríamos tocar todo ano em Porto Alegre e no interior do RS, mas estamos conseguindo um ano sim e um ano não e este show vai ser único, pois a música é vital para nós e este público absolutamente animado também.
"Agora é que comecei a me divertir", diz líder do Skank
Banda mineira apresenta show da turnê "Velocia" nesta quinta, 21h, no Araújo Vianna