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“Águas Mortais” e “Pequenas Criaturas” chegam aos cinemas

Crítico de cinema Marcos Santuario comenta, em poucos minutos, as produções que podem ser conferidas, a partir desta quinta-feira, dia 23 de julho

Crítico de cinema Marcos Santuario comenta as produções
Crítico de cinema Marcos Santuario comenta as produções Foto : Youtube / Reprodução / CP

A provocação desta semana nos cinema pode ser sobre que cinema queremos assistir. A resposta está longe de ser única. As estreias mostram que as telas continuam sendo um território onde convivem o espetáculo, a intimidade, a fantasia e a inquietação filosófica.

De um lado chega às telonas “Águas Mortais”, uma produção que aposta na adrenalina, compondo um thriller de ação em que um pouso de emergência transforma o oceano em uma armadilha. O diretor Renny Harlin revisita o cinema de tensão física, em que a natureza deixa de ser cenário para assumir o papel de antagonista. É o tipo de experiência que reafirma a força da sala escura como espaço de impacto sensorial coletivo.

Confira em vídeo:

Na direção oposta, mas igualmente poderosa, o brasileiro “Pequenas Criaturas”, de Anne Pinheiro Guimarães, mergulha nas águas silenciosas da vida cotidiana. Ambientado em Brasília nos anos 1980, o longa transforma a ausência, a solidão e as descobertas familiares em matéria-prima para um drama profundamente humano. Em vez de explosões, oferece emoções. Em vez de perseguições, encontros consigo mesmo. Lembra que as maiores revoluções acontecem dentro das pessoas.

Para quem busca experiência compartilhada entre gerações, “Marsupilami: Confusão à Bordo” resgata um personagem clássico da cultura pop em aventura marcada pelo humor, pelo absurdo e pelo espírito familiar. Em um mercado frequentemente dividido entre conteúdos a adultos e crianças, essas produções reforçam a importância de um cinema capaz de reunir pais, filhos e avós diante da mesma história.

“Futuro Futuro”, do gaúcho Davi Pretto, lança uma pergunta que parece inevitável em 2026, sobre a inteligência artificial. Pergunta quem somos, em uma ficção-científica que deixa de ser apenas um exercício de imaginação para se transformar em reflexão sobre dependência tecnológica, identidade e liberdade. Funciona, mais do que um filme sobre o amanhã, como um espelho desconfortável do presente que vivemos hoje. E as telonas mostram outra produção brasileira que merece ser vista. “Mil Luas”, dirigido e roteirizado pela paranaense Carina Bini é uma reflexão profunda e acolhedora sobre o envelhecimento, dirigido e roteirizado por Carina. Na trama Chiara, uma imigrante italiana de 80 anos, precisa lidar com a dor da perda ao ver seu restaurante ser vendido. Encara jornada para descobrir mais sobre si mesma frente a novas pessoas.

O conjunto das estreias revela que o cinema contemporâneo não sobrevive pela homogeneidade, mas pela diversidade. Cada filme dialoga com um público diferente e todos compartilham a missão de provocar emoções, despertar perguntas e ampliar repertórios.

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