Filas, ingressos esgotados e gente empolgada antes e depois da sessão, além do interesse da mídia especializada internacional, atestam o sucesso de ‘Ainda Estou Aqui’. Pois a lista de atrativos da produção cinematográfica, que já incluía a presença na pré-lista de indicados ao Oscar, conta também com o reconhecimento de Fernanda Torres, a primeira atriz brasileira a vencer o Globo de Ouro.
Em Porto Alegre, o filme de Walter Salles que remonta o período mais intenso da ditadura militar no Brasil está em exibição em cinco cinemas. No início da noite desta segunda-feira, 6, não havia ingressos disponíveis no GNC do Moinhos Shopping, no bairro Moinhos de Vento.
A servidora pública Vitória Tonetto, 28 anos, revelou ansiedade para assistir ao longa. E não deixou de notar o ambiente diferenciado, com cara de estreia de produção internacional.
“Fila para entrar, tinha fila até para comprar pipoca. É legal ver este clima para um filme brasileiro, são muitos motivos de orgulho, eu já tava muito interessada na história, o Brasil merecia desde a mãe dela (Fernanda Montenegro, mãe de Torres, foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz por ‘Central do Brasil’ em 1999), comentou.
“Do filme eu espero muitas lágrimas e emoções”, revelou, enquanto se preparava para entrar na sala.
As expectativas de Vitória sobre a atuação de Fernanda Torres e também a respeito do enredo e da produção audiovisual se confirmavam nas impressões de quem saia da sessão anterior, também lotada. “Excelente”, “sem palavras” e “emocionante” foram adjetivações dadas pela relações públicas Daniela Britto, 44. A técnica judiciária Carolina Cabral Silva, 43, afirma que ficou bastante tocada pela história, ao recordar os anos difíceis vividos pelos brasileiros.
“Já havia lido um pouco sobre o Vladimir Herzog, sobre o próprio Rubens Paiva, então foi muito tocante, de verdade. E a atuação da Fernanda é maravilhosa, brilhante mesmo”, declarou.
Até quem não viveu os anos de repressão elogia ‘Ainda Estou Aqui’, adaptação do livro homônimo escrito por Marcelo Rubens Paiva. Para Giovana Fauth, de apenas 15 anos, a mensagem que fica é o contexto histórico.
“Eu me interesso muito pela história do Brasil, então, ver um filme que retrata o que eu aprendi na escola neste último ano, inclusive, é muito emocionante. Eu fico triste pelo que aconteceu e também feliz que a gente aprenda, que isso seja estudado e retratado para nunca mais acontecer”, defendeu.
História
Baseado em relatos reais, “Ainda Estou Aqui’ se passa na década de 1970, e acompanha a trajetória da família Paiva, formada por Rubens (interpretado por Selton Mello), Eunice (Fernanda Torres) e seus filhos. O marido é levado pelos militares e Eunice dedica o restante de sua vida em busca de respostas.
Já são mais de 3 milhões de espectadores no país. Enquanto bate recordes de bilheteria no Brasil, a produção cinematográfica, que estreou em 7 de novembro do ano passado, tem atraído a mídia internacional e está pré-lista de indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Aos 58, Fernanda Torres é a primeira atriz brasileira a vencer o Globo de Ouro, em premiação no último domingo. E é a primeira conquista nacional desde 1999, quando ‘Central do Brasil’ venceu como melhor filme em língua estrangeira.
Pelo trabalho, a mãe de Torres, Fernanda Montenegro, também foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz, mas o prêmio ficou para Cate Blanchett por "Elizabeth". Montenegro ainda fez história ao ser a primeira brasileira indicada ao Oscar, na categoria de Melhor Atriz, em 1999.