Ortiz salienta que seu livro apresenta sua experiência na cidade e não se aprofunda na questão ideólogica. A política aparece, mas seu objetivo não foi fazer um ensaio sobre o socialismo. Ele conta o que viu e as experiências que viveu ao interagir com moradores do local. Retrata, por exemplo, a circulação de duas moedas no país, uma para a população e outra para os turistas. Apresenta questões da economia, como a passagem de ônibus de Havana custar o equivalente a R$ 0,04 (centavos de real) por ser subsidiada pelo governo. Para se assistir ao Balé Nacional de Cuba, o ingresso custava o equivalente a R$ 1,50 e, para surpresa do escritor, não havia cambistas. "Lá os salários são baixos, mas é preciso avaliar o seu poder de compra, que é maior do que em outros países, devido aos subsídios do governo", diz o escritor.
Na sua opinião, Cuba marcha para um modelo chinês, em que o partido comunista se mantém no governo, mas na prática o mercado funciona no regime capitalista. "A economia cubana está se abrindo de forma lenta, como tudo o que acontece na ilha", observa Ortiz. A música cubana foi, na análise do próprio autor, o que mais o encantou em toda a viagem. Ortiz já tem o planejamento para seu próximo livro, que será sobre Jerusalém.