Arte & Agenda

Alejandro Zambra é primeiro nome confirmado da 19ª Flip

A Festa Literária Internacional de Paraty, com realização entre 27 de novembro a 5 de dezembro, será em formato virtual

O escritor chileno Alejandro Zambra,referido como uma das vozes mais promissoras em língua espanhola, teve suas obras traduzidas para vinte idiomas e seus textos foram publicados em prestigiados espaços literários
O escritor chileno Alejandro Zambra,referido como uma das vozes mais promissoras em língua espanhola, teve suas obras traduzidas para vinte idiomas e seus textos foram publicados em prestigiados espaços literários Foto : Mabel Maldonado / Divulgação / CP

O escritor chileno Alejandro Zambra é o primeiro nome confirmado para a Flip - Festa Literária Internacional de Paraty, com realização prevista para acontecer entre 27 de novembro a 5 de dezembro em formato virtual. Hoje radicado na Cidade do México, Zambra escreveu os romances “Bonsai, A vida privada das plantas”, “Formas de voltar para casa” e “Múltipla escolha”; e os contos reunidos em “Meus Documentos”; e os volumes de poesia “Bahía inútil” e “Mudanza”. Já sua produção crítica está organizada em “No leer” e “Tema libre”.

Em 2010, Zambra foi referido como uma das vozes mais promissoras em língua espanhola, segundo a publicação britânica Granta. De lá pra cá, suas obras foram traduzidas para vinte idiomas e seus textos foram publicados em prestigiados espaços literários, como The New Yorker e The Paris Review.

Após nove anos de sua vinda à Flip (ele esteve na festa em 2012), quando sentou-se com Enrique Vila-Matas para conversar - dentre outros assuntos - sobre livros ficcionais que tratam da literatura, Zambra retorna com Poeta Chileno, sua incursão imaginativa mais longa. Além disso, um volume que reúne toda produção ficcional do autor também chega às livrarias brasileiras nos meses que antecedem a Festa.

Mauro Munhoz, diretor artístico da Flip comenta: "Nesse retorno à Flip depois de quase uma década e com novas publicações, Zambra nos oferece a oportunidade de refletir sobre dois movimentos: um é a trajetória artística dele, o outro são as transformações sociais, políticas e culturais do Brasil e do Chile, países tão próximos e semelhantes, mas que também guardam uma série diferenças que ajudam a entender a complexidade do nosso lugar no mundo".

O desejo do coletivo curatorial convidar o escritor chileno vai além, como explica Evando Nascimento: "Alejandro Zambra é um dos convidados da Flip 2021 por ser um dos escritores latino-americanos mais relevantes da contemporaneidade e também pelo fato de dois de seus livros trazerem plantas como metáforas de cunho literário e político: Bonsai e A vida privada das árvores. A questão vegetal relacionada à literatura hoje tem um forte componente ético-político, como será tematizado em algumas das mesas".

Sobre a 19ª Flip

Pela primeira vez, a Festa opta por trabalhar com um coletivo curatorial convidado e fazer uma homenagem coletiva. As duas escolhas vão ao encontro do conceito de toda a 19ª edição, que está expresso no texto "Nhe’éry, Plantas e Literatura" . Nhe'éry (pronuncia-se nheeri) quer dizer "onde as almas se banham" e é como o povo Guarani chama a Mata Atlântica, uma denominação que revela toda a pluriversalidade da floresta.

"Este ano a Flip volta seu olhar para a necessidade de se rever a dissociação entre humanidade e natureza. É um conceito que busca refletir sobre as questões mais urgentes do contemporâneo, sem ser um delineamento temático rígido. A intenção é se nutrir das florestas, que são sistemas abertos, colaborativos", diz Mauro Munhoz, diretor artístico da Flip. 

Homenagem Coletiva

A Flip faz uma homenagem coletiva para todo(a)s o(a)s pensadore(a)s, conhecedore(a)s e mestre(a)s indígenas que tiveram suas vidas interrompidas pela Covid-19. Gente de várias florestas do Brasil, gente discípula das plantas. Inspirada em projetos como o Memorial Vagalumes, a homenagem deste ano busca cultivar e espalhar as sabedorias dessas "pessoas-enciclopédias" que não podem desaparecer.

Apenas alguns nomes: Higino Tenório, escritor, benzedor, especialista em arte rupestre, professor e fundador da primeira escola indígena do povo Tuyuka; Feliciano Lana, artista plástico e escritor do povo Desana, conhecido internacionalmente; Zé Yté, colaborador central dos mais importantes estudos sobre a etnobiologia Kayapó; Maria de Lurdes, guardiã das plantas de cura do povo Mura; Meriná, mestra de rituais de cura e benzimentos do povo Macuxi; Alípio Xinuli Irantxe, mestre das flautas do povo Manoki; Domingos Venite, Guarani, líder da maior terra indígena do estado do Rio de Janeiro, militante de novas políticas de saúde indígena.

Por meio desses nomes, a Flip também homenageia todas as vítimas da pandemia, entre elas gente de outras sabedorias e narrativas como Nelson Sargento, Aldir Blanc e Zé de Paizinho, mestre do samba de aboio sergipano, ou a poeta Olga Savary, o poeta Vicente Cecim e o ficcionista Sérgio Sant’Anna.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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