Em plena temporada pré-Oscar e a poucos dias do anúncio dos títulos que vão concorrer aos prêmios da Academia, chega aos cinemas nesta quinta-feira "Labirinto de Mentiras". O filme é o indicado da Alemanha para a categoria de melhor filme estrangeiro.
Assim como o brasileiro "Que Horas Ela Volta?", de Anna Muylaert, a produção alemã ficou de fora da disputa pelo Globo de Ouro. No entanto, muitos apostam que ele deverá entrar oficialmente na corrida ao Oscar pelo tema que possui, o nazismo - por mais que muitos considerem que a realização do diretor Giulio Ricciarelli não está à altura de um assunto tão importante.
O longa se passa na Alemanha do pós-guerra, quando o país vivia seu milagre econômico. Em 1978, vale lembrar, Rainer Werner Fassbinder iniciou, com "O Casamento de Maria Braun", uma trilogia sobre o país naqueles anos de reconstrução. Depois, fez "Lili Marlene", "Lola" e até um quarto filme que dialogava com o período, "O Desespero de Veronika Voss".
Ricciarelli retoma essa mesma época, mas em outra chave. "Labirinto de Mentiras" conta a história real do procurador Fritz Bauer, notório perseguidor de nazistas, porém mostra o ângulo de um jovem assistente do seu gabinete. No clima arrivista do país em desenvolvimento - graças ao apoio dos Estados Unidos, que usavam a Alemanha (Ocidental) como escudo contra a então União Soviética -, Johann Radmann resolve investigar crimes cometidos por poderosos na Alemanha, durante a 2ª Guerra.
A ideia é, em si, tão interessante quanto perigosa. Para mostrar que o nazismo é coisa do passado e a vida política alemã, a par da econômica, também está normalizada, não há muito interesse, das próprias autoridades, em escavar nesse passado comprometedor, que pode atingir figuras importantes em novos postos de comando.
Só que o jovem Johann, interpretado por Alexander Fehling, não se intimida pelas dificuldades que encontra. A maior delas é o que se pode definir como "conspiração do silêncio". Pode ser difícil de acreditar, mas ele - e outras pessoas próximas - nunca ouviram falar de campos de extermínio como Auschwitz.
Johann fica obcecado e o que deveria ser o trampolim para o seu crescimento profissional vira o oposto - uma porta para o desmoronamento. Sua vida íntima e profissional começa a ruir, e para metaforizar o que ocorre com o personagem, o diretor vale-se de um recurso tão didático quanto ingênuo. Um terno roto.
Assista ao trailer:
Alemanha busca o Oscar com trama sobre nazismo
"Labirinto de Mentiras" chega aos cinemas nesta quinta-feira