Arte & Agenda

Alemanha Oriental ganha filmes na Sala Redenção

Mostra de cinema relembra parte da memória cinematográfica da extinta Alemanha Oriental em três diferentes blocos de programação

‘Solo Sunny’ é um dos filmes que compõem e mostra ‘Do Outro Lado do Muro’
‘Solo Sunny’ é um dos filmes que compõem e mostra ‘Do Outro Lado do Muro’ Foto : RisiFilm / Divulgação / CP

Em cartaz, na Sala Redenção, dez longas do estúdio DEFA a partir desta terça-feira, dia 2. A mostra vai até dia 12 de setembro. A Sala Redenção (Eng. Luiz Englert, 333), em parceria com o Goethe-Institut Porto Alegre, apresenta a mostra “Do Outro Lado do Muro”, que reúne dez longas-metragens do DEFA (Deutsche Film-Aktiengesellschaft), antigo estúdio cinematográfico estatal da Alemanha Oriental, Estado vinculado ao bloco soviético durante a chamada Guerra Fria.

A mostra “Do Outro Lado do Muro”, cujo título referencia o Muro de Berlim, símbolo máximo da divisão territorial alemã, relembra parte da memória cinematográfica da extinta Alemanha Oriental em três diferentes blocos de programação: o primeiro deles reúne filmes produzidos durante o regime; o segundo, obras banidas e censuradas; e o terceiro, títulos de ativismo e protesto produzidos durante os últimos anos do país.

O primeiro bloco inicia com “Lissy” (1957), de Konrad Wolf, diretor homenageado, por conta do centenário de seu nascimento, com mais dois títulos na mostra: “Estrelas” (1959) e “Solo Sunny” (1978). O segundo bloco é composto por “Karla” (1965), de Hermann Zschoche, “Berlim na esquina” (1966), de Gerhard Klein, e “Rastro de pedras” (1966), de Frank Beyer. Por fim, o terceiro bloco traz sucessos como “A lenda de Paulo e Paula” (1972), de Egon Günther; e “Coming Out” (1989), de Heiner Carow, primeiro longa-metragem LGBTQIAPN+ da Alemanha Oriental, estreado no dia da queda do Muro de Berlim.

Mais do que uma retrospectiva, a mostra propõe uma oportunidade rara de acesso a filmes que revelam não apenas o cotidiano, os dilemas e os sonhos de uma sociedade marcada pela vigilância e pela censura, mas também o potencial subversivo do cinema como arte e documento histórico. No momento em que o mundo revisita fronteiras e polarizações, essas obras são essenciais para refletir sobre liberdade, resistência e memória coletiva. Entrada franca.

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